Pesquisa brasileira busca prever quedas em Parkinson antes da primeira queda

Estudo da USP e Associação Brasil Parkinson acompanhará 270 pacientes por 36 meses para mapear riscos de perda de equilíbrio

No Dia Mundial de Prevenção de Quedas, celebrado em 24 de junho, a atenção se volta para um problema que vai além dos acidentes domésticos e do envelhecimento: as quedas em pessoas com doença de Parkinson. Para esses pacientes, as quedas não são eventos isolados, mas marcos que comprometem a autonomia, reduzem a mobilidade e podem acelerar o isolamento social.

Objetivo da pesquisa

Uma pesquisa brasileira, liderada pela fisioterapeuta Dra. Erica Tardelli, presidente da Associação Brasil Parkinson (ABP) e doutoranda na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), busca entender por que algumas pessoas com Parkinson perdem o equilíbrio mais rapidamente que outras. O estudo acompanhará 270 pacientes durante 36 meses para observar a evolução do equilíbrio dinâmico — a capacidade de manter a estabilidade durante movimentos cotidianos, como caminhar, virar o corpo e desviar de obstáculos.

Além dos sintomas motores tradicionais, a pesquisa investiga se fatores cognitivos, como atenção, memória de trabalho e planejamento, podem ser preditores da perda de equilíbrio.

Impacto das quedas no Parkinson

Dados da Associação Brasil Parkinson indicam que cerca de 60% das pessoas com Parkinson sofrem quedas, e dois terços apresentam episódios recorrentes. As consequências incluem fraturas, internações, medo de caminhar e perda de independência, afetando significativamente a qualidade de vida e a rotina dos pacientes.

Diante disso, a pesquisa propõe uma mudança no modelo de cuidado, passando de uma abordagem reativa para uma preventiva. Identificar pacientes com maior risco antes da primeira queda permitiria antecipar intervenções e preservar a autonomia.

Fatores que aumentam o risco de quedas

Com base no material da pesquisa, os principais fatores associados à perda de equilíbrio em pessoas com Parkinson são:

  • Progressão dos sintomas motores que reduzem a estabilidade corporal;
  • Declínio do equilíbrio dinâmico, especialmente ao caminhar ou mudar de direção;
  • Alterações cognitivas, como dificuldades de atenção e planejamento;
  • Redução da capacidade de adaptação a obstáculos e mudanças ambientais;
  • Medo de cair novamente, que pode levar à diminuição do movimento e perda funcional;
  • Resposta limitada dos tratamentos medicamentosos sobre o equilíbrio.

A pesquisa integra o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Reabilitação da Faculdade de Medicina da USP e utiliza instrumentos internacionalmente validados para monitorar funções motoras e cognitivas ao longo do tempo.

Em um tema tão sensível, a mensagem é clara: quanto mais cedo o risco for identificado, maiores as chances de oferecer cuidados personalizados e preservar a independência dos pacientes.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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