Férias escolares: planejamento é o segredo para aproveitar sem pesar no bolso

Organizar gastos com antecedência ajuda a evitar dívidas e garante mais tranquilidade financeira durante o período de descanso

Com a chegada das férias escolares de julho, muitas pessoas começam a planejar viagens para aproveitar o período de descanso. Um levantamento do Instituto Locomotiva de Pesquisas, divulgado em 2025, mostra que metade dos brasileiros pretende tirar férias em julho, reforçando a importância de organizar as finanças para que o lazer não pese no bolso.

Além dos gastos com transporte e hospedagem, despesas com alimentação, passeios e compras costumam aumentar durante a alta temporada e podem pressionar o orçamento. Sem organização, gastos que parecem pequenos durante a viagem podem se acumular e impactar o equilíbrio financeiro após o retorno para casa.

De acordo com Jéssica Maciel, coordenadora de Planejamento e Análise Financeira do Banco Mercantil, viajar sem comprometer as finanças exige organização e preparo antecipado. Definir um valor máximo para a viagem, pesquisar preços e evitar gastos por impulso são algumas das medidas que ajudam a conciliar lazer e responsabilidade financeira.

“O primeiro passo é entender quanto é possível gastar sem prejudicar compromissos financeiros já assumidos. A viagem deve caber no orçamento, e não o contrário. Quando ela é organizada com antecedência, é possível encontrar melhores preços e reduzir significativamente os custos”, explica Jéssica.

Especialistas recomendam que o planejamento das férias não comece apenas no mês da viagem. O ideal é que a organização financeira seja feita com antecedência, prevendo quanto do orçamento anual será destinado ao lazer e às viagens. Dessa forma, é possível diluir os custos ao longo dos meses e evitar impactos no orçamento familiar quando o período de descanso chegar.

Para facilitar esse planejamento, uma prática recomendada é reservar mensalmente uma parte da renda destinada aos momentos de lazer. Muitos bancos oferecem ferramentas de organização financeira, como os chamados “cofrinhos” digitais, que ajudam o cliente a separar recursos ao longo do ano para objetivos específicos, como viagens e férias.

Um dos métodos mais conhecidos para estruturar o orçamento pessoal é a regra 50-30-20. Nesse modelo, 50% da renda mensal é destinada às despesas essenciais, como moradia, contas de consumo e transporte; 30% é direcionada aos gastos pessoais e de lazer, incluindo viagens; e os 20% restantes são reservados para investimentos e construção de patrimônio. A divisão funciona como uma referência para ajudar no equilíbrio financeiro e no planejamento de objetivos de curto e longo prazo.

Segundo a especialista, antes mesmo de escolher o destino, é importante estabelecer um limite de gastos compatível com a renda disponível. Esse parâmetro ajuda a direcionar a busca por opções de hospedagem, transporte e lazer mais adequadas e evita despesas acima do previsto. Também vale dedicar um tempo para pesquisar e comparar preços, já que pequenas mudanças nas datas ou no roteiro podem representar uma economia significativa.

“O cartão pode ser um grande aliado para organizar despesas e aproveitar benefícios, mas é importante lembrar que toda compra parcelada representa um compromisso financeiro futuro. O ideal é que as parcelas sejam compatíveis com o orçamento mensal para que a viagem não se transforme em uma fonte de endividamento”, orienta Jéssica.

A coordenadora do Banco Mercantil também orienta que seja mantida uma reserva para imprevistos, já que despesas extras podem surgir durante qualquer viagem. Essa prática oferece mais tranquilidade diante de situações inesperadas e ajuda a manter o planejamento financeiro mesmo quando surgem gastos não previstos.

Além da economia, uma boa organização financeira contribui para uma experiência mais segura e tranquila. “Ao conhecer previamente seus limites e planejar os gastos, é possível aproveitar o período de descanso sem o receio de enfrentar dificuldades financeiras após as férias. Momentos de descanso e convivência são importantes para a qualidade de vida, mas precisam estar alinhados à realidade financeira de cada pessoa. Com organização financeira e escolhas conscientes, é possível viajar e voltar para casa sem carregar dívidas na bagagem”, conclui a especialista.

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Por Jéssica Maciel

Coordenadora de Planejamento e Análise Financeira do Banco Mercantil

Artigo de opinião

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