Copa do Mundo segue como raro ponto de encontro entre gerações, regiões e conversas no Brasil

Estudo da MindMiners mostra que o torneio continua reorganizando hábitos, consumo e interações em um país cada vez mais fragmentado pelas telas

Com a Copa do Mundo já movimentando conversas, encontros e hábitos de consumo em todo o país, o torneio volta a ocupar um espaço raro no imaginário brasileiro: o de experiência coletiva capaz de sincronizar emoções, conversas e comportamentos em escala nacional. É o que aponta o estudo exclusivo da MindMiners “O Jogo Fora de Campo”, realizado com mil brasileiros de todas as regiões do país, que identifica o Mundial como um dos últimos grandes “sincronizadores culturais” do Brasil.

Nos primeiros dias de competição, a movimentação nas redes sociais, os encontros para assistir aos jogos e o aumento das conversas sobre o torneio reforçam um comportamento já antecipado pelo estudo: a capacidade da Copa de mobilizar simultaneamente públicos de diferentes perfis em um ambiente digital cada vez mais fragmentado.

Os números ajudam a dimensionar essa força cultural. Segundo o levantamento, 83% dos brasileiros afirmaram que acompanhariam a Copa de 2026, enquanto 40% afirmam acompanhar o torneio mais do que qualquer outro evento esportivo. Já 69% definem a competição como entretenimento, 49% a associam à paixão nacional e 39% enxergam o evento como festa e diversão. Outros 32% dizem ver a Copa como oportunidade de estar com amigos.

Para Rosana Camilotti, Diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners, a relevância da Copa vai além do futebol e ganha ainda mais importância em um ambiente digital marcado por nichos e bolhas de consumo. “Hoje, cada pessoa vive uma internet diferente. Os algoritmos distribuem conteúdos específicos para nichos, interesses e perfis muito particulares. Isso faz com que até grandes acontecimentos sejam consumidos de maneira pulverizada. A Copa rompe temporariamente essa lógica porque consegue atravessar bolhas sociais, geracionais e digitais ao mesmo tempo”, diz.

O último grande ritual coletivo do país

O estudo mostra que essa mobilização atravessa gerações, classes sociais e formatos de mídia. Embora a TV aberta permaneça como principal canal de transmissão, escolhida por 77% dos entrevistados, metade dos brasileiros também pretende acompanhar a competição pelo YouTube, enquanto 30% devem recorrer aos serviços de streaming.

Além da audiência, o torneio também mobiliza relações sociais. Segundo a pesquisa, 57% pretendem assistir aos jogos em casa com amigos ou familiares, enquanto 41% planejam acompanhar as partidas na residência de amigos ou familiares e 22% em bares, restaurantes ou espaços públicos.

A pesquisa também aponta que 20% dos entrevistados não acompanham futebol no dia a dia, mas passam a acompanhar durante a Copa do Mundo. Isso reforça o caráter transversal do evento, que consegue ultrapassar o público tradicional do esporte e alcançar pessoas menos conectadas ao futebol ao longo do ano.

A Copa na era das múltiplas telas

A televisão segue dominante na experiência principal do jogo: 87% pretendem assistir às partidas pela TV, enquanto 45% usarão o celular e 22% o computador para comentar, compartilhar memes e acompanhar reações em tempo real.

Além dos jogos, os brasileiros também acompanham conteúdos paralelos relacionados ao torneio. Quase metade (49%) afirma consumir notícias sobre a Copa, enquanto 34% acompanham análises e comentários esportivos e 33% assistem aos melhores momentos após as partidas.

“Hoje o jogo acontece simultaneamente em três arenas: na TV, nas redes sociais e nos encontros presenciais. O que muda não é a capacidade de mobilização da Copa, mas a forma como ela se espalha pelas telas e pelas conversas”, afirma Rosana Camilotti.

A sala de casa como arquibancada

O impacto da Copa também aparece nos hábitos de consumo. Segundo o estudo, 34% dos brasileiros afirmam que pretendem mudar hábitos de compra durante o torneio, enquanto 43% dizem que isso dependerá da ocasião ou das oportunidades disponíveis.

Supermercados (47%), alimentos e snacks (43%) e bebidas alcoólicas e não alcoólicas (36%) lideram as categorias de consumo mais impactadas pelo evento. O levantamento mostra ainda que petiscos (57%), carnes para churrasco (51%) e snacks (46%), produtos ligados à experiência compartilhada, aparecem entre os itens mais consumidos durante os jogos.

O comportamento revela como a Copa sobreviveu à lógica da hipersegmentação digital. Enquanto redes sociais distribuem públicos em nichos específicos, o Mundial ainda consegue criar uma conversa coletiva nacional, algo cada vez mais raro na internet contemporânea.

“Em um ambiente em que quase tudo é personalizado, da timeline ao streaming, a Copa permanece como um dos poucos eventos capazes de criar simultaneamente uma experiência coletiva nacional. Por algumas semanas, o país volta a assistir, comentar e sentir junto”, conclui Rosana.

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Por Rosana Camilotti

Diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners

Artigo de opinião

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