Escolas buscam reconectar alunos na era digital

Com o avanço do ensino integral, redes apostam em convivência e protagonismo para engajar estudantes hiperconectados

O avanço do ensino integral no Brasil tem colocado em evidência um desafio para educadores: como transformar o tempo ampliado na escola em experiências que realmente engajem estudantes acostumados a interações digitais constantes e estímulos imediatos.

Em diversas escolas, a restrição do uso de celulares durante os intervalos tem permitido o retorno de brincadeiras coletivas, rodas de conversa e jogos presenciais, promovendo uma maior interação entre os alunos. Essa mudança simples evidenciou a necessidade de reconstruir vínculos e fortalecer o engajamento dentro da rotina escolar.

Crescimento do ensino integral e foco na qualidade

Dados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Inep, indicam que as matrículas em tempo integral cresceram em todas as etapas da educação básica. Na educação básica regular, o percentual passou de 15,1% em 2021 para 24,2% em 2025, enquanto no ensino médio subiu de 20,9% para 26,8%.

Maria Eduarda Fernandes, diretora de sucesso pedagógico do Sistema Positivo, destaca que o desafio não é apenas ocupar o tempo dos estudantes, mas gerar engajamento real. Segundo ela, "o ensino integral amplia oportunidades, mas isso exige uma transformação na forma de ensinar, nas experiências oferecidas e na participação do aluno no processo de aprendizagem".

Projetos que conectam escola e cotidiano

Para enfrentar esse desafio, escolas têm adotado programas pedagógicos voltados à formação integral, como o Positivo Integra, do Sistema Positivo de Ensino. Essa iniciativa propõe projetos que abordam temas contemporâneos e do cotidiano dos estudantes, como o impacto da internet nas relações sociais, sustentabilidade, pertencimento, empreendedorismo e participação juvenil.

Por exemplo, alunos do 7º ano participam do projeto "Conect@dos: o que a internet diz sobre nós?", que discute identidade digital e comportamento online. Já os estudantes mais jovens exploram temas relacionados à convivência, emoções e integração comunitária. A proposta é partir do que já faz parte da vida dos alunos para ampliar a participação, colaboração e vínculo com a aprendizagem.

Uma geração digital exige novas abordagens

Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2025, 92% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos usam a internet no país, totalizando cerca de 24,5 milhões de jovens inseridos no ambiente digital. Acostumados a vídeos curtos, múltiplas telas e comunicação instantânea, esses estudantes chegam à escola com uma lógica de interação diferente daquela para a qual o sistema educacional foi originalmente concebido.

Maria Eduarda ressalta que o debate sobre o ensino integral deve ir além da ampliação da carga horária ou do uso de tecnologia em sala de aula. O foco precisa estar na construção de ambientes dinâmicos, conectados ao cotidiano dos estudantes e capazes de estimular autonomia, colaboração e protagonismo. Ela afirma que "quando a escola mantém um modelo excessivamente passivo, baseado apenas na transmissão de conteúdo, o engajamento naturalmente cai".

Na prática, as escolas têm investido em projetos interdisciplinares, atividades de investigação, resolução de problemas reais e iniciativas voltadas ao desenvolvimento socioemocional, buscando resgatar o sentimento de pertencimento e fortalecer a comunidade escolar.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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