Tecnologia médica avança, mas a infraestrutura acompanha?

A digitalização da saúde acelera, mas a continuidade assistencial depende de energia estável e infraestrutura resiliente

Por Pedro Al Shara

A transformação digital da saúde já não é uma promessa futura. Ela acontece em tempo real, dentro de hospitais, laboratórios, clínicas e centros de diagnóstico que incorporam inteligência artificial, automação, conectividade e análise de dados para acelerar decisões, ampliar precisão e melhorar desfechos clínicos.

No Brasil, esse movimento ganha velocidade. Dados da pesquisa TIC Saúde 2025, divulgados em maio de 2026 pelo Cetic.br, mostram que 18% dos estabelecimentos de saúde brasileiros já utilizam inteligência artificial, percentual que sobe para 31% nas unidades com mais de 50 leitos. O avanço indica uma mudança estrutural: hospitais estão se tornando ambientes cada vez mais digitais, conectados e dependentes de disponibilidade tecnológica contínua.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha esse crescimento. Segundo boletim econômico da ABIIS, o setor brasileiro de dispositivos médicos cresceu 7% em 2025, desempenho superior à média da indústria nacional. O dado evidencia não apenas expansão comercial, mas uma intensificação do uso de equipamentos críticos, desde sistemas de imagem e monitoramento até infraestrutura laboratorial e automação hospitalar.

Mas existe uma pergunta que precisa acompanhar essa evolução: a infraestrutura do ambiente hospitalar e do setor de saúde está crescendo no mesmo ritmo da inovação tecnológica?

Quando se fala em inovação na saúde, o debate costuma se concentrar em software, inteligência artificial, telemedicina, robótica cirúrgica ou interoperabilidade de dados. Tudo isso é essencial. Porém, há uma camada silenciosa e menos glamourosa que sustenta absolutamente toda essa operação: energia elétrica estável e infraestrutura resiliente.

Sem energia, não existe prontuário eletrônico acessível, exames laboratoriais automatizados, bombas de infusão funcionando, respiradores operando ou centros cirúrgicos em atividade. Não há redundância possível para a vida quando sistemas críticos param de forma inesperada.

Diferentemente de outros setores, a saúde não trabalha com margem confortável para interrupções. Uma falha de segundos pode significar perda de dados clínicos, suspensão de procedimentos, comprometimento de medicamentos termossensíveis e, em cenários extremos, risco direto ao paciente.

Isso torna a infraestrutura energética parte inseparável da jornada de digitalização hospitalar. À medida que hospitais se tornam mais tecnológicos, eles também se tornam mais dependentes de continuidade operacional. Quanto maior a sofisticação dos equipamentos, maior a necessidade de estabilidade elétrica, redundância e previsibilidade energética.

É uma relação simples: quanto mais inteligente o ambiente, mais crítica se torna sua base operacional e nos próximos anos, veremos a consolidação de hospitais cada vez mais conectados, automatizados e orientados por dados.

O Brasil já discute hospitais inteligentes, UTIs automatizadas e medicina de precisão apoiada por IA. Esse avanço é positivo e necessário. Mas inovação em saúde não pode ser construída sobre infraestrutura vulnerável.

A tecnologia médica evolui para salvar mais vidas, acelerar diagnósticos e ampliar eficiência. Para que cumpra esse papel, é preciso olhar além do equipamento e considerar tudo aquilo que o mantém ativo.

Na saúde, energia não é suporte operacional. É continuidade assistencial, e quando continuidade assistencial falha, as consequências não são financeiras ou produtivas apenas. São humanas.

Pedro Al Shara é CEO TS Shara, indústria nacional fabricante de nobreaks, inversores e estabilizadores de tensão e protetores de rede inteligente.

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Por Pedro Al Shara

CEO TS Shara indústria nacional fabricante de nobreaks, inversores e estabilizadores de tensão e protetores de rede inteligente

Artigo de opinião

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