Fiocruz testa pulsos elétricos contra esporotricose em gatos

Estudo pioneiro usa eletroporação como terapia adjuvante e apresenta resultados iniciais encorajadores em casos graves de esporotricose felina.

Pesquisadores do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI), da Fiocruz, estão testando uma técnica inédita no combate à esporotricose felina: a eletroporação, que usa pulsos elétricos como terapia adjuvante. O estudo, conduzido em parceria com a startup Akko Health Devices, já apresenta resultados preliminares encorajadores, inclusive em gatos com quadros graves e de difícil tratamento.

A proposta chama atenção porque pode ajudar a enfrentar um dos maiores desafios dessa doença em gatos: o tratamento convencional, feito com antifúngicos orais por meses, costuma exigir muitas manipulações do animal, além de ter custo elevado e nem sempre trazer resposta satisfatória. Segundo o material, a técnica pode diminuir o número de manejos, reduzindo tempo e custo do processo.

O que é a esporotricose felina

A esporotricose é uma infecção fúngica causada por fungos do gênero Sporothrix e é considerada uma zoonose, ou seja, pode atingir gatos e humanos. A doença provoca lesões cutâneas e mucosas profundas e se tornou de notificação obrigatória em humanos pelo Ministério da Saúde em janeiro deste ano.

O problema é relevante também para a saúde pública: só o Estado de São Paulo registrou mais de 7.700 casos em humanos nos últimos 10 anos, com 87% desses registros concentrados de 2020 para cá.

Resultados iniciais e fase de estudo

O projeto é coordenado pela médica-veterinária Isabella Dib Gremiao, pesquisadora do INI/Fiocruz, referência no estudo da doença. Em declaração reproduzida no material, ela afirma que os primeiros casos tratados eram de gatos com lesões extensas na pele e acometimento de mucosas, sem boa resposta aos tratamentos antifúngicos convencionais.

“Os resultados iniciais são encorajadores, com melhora clínica das lesões e, em alguns casos, cura clínica. No entanto, ainda estamos em uma fase inicial de avaliação, e é importante ampliar as observações para definir melhor o papel dessa técnica no tratamento da esporotricose felina”, afirma a pesquisadora.

Por que a técnica pode mudar o tratamento

O equipamento utilizado no estudo, chamado SPORO PULSE, foi desenvolvido pela Akko Health Devices. De acordo com o professor Carlos Brunner, a ideia é atacar o fungo e preservar o tecido normal do gato. Ele explica que, no caso do fungo, os poros se formam e não se fecham mais, levando à morte do microrganismo.

Além do impacto clínico, a pesquisa chama atenção pelo potencial de reduzir o tempo de tratamento e o risco de transmissão, já que a doença pode passar entre gatos e também para pessoas.

Prevenção ainda é parte central do controle

A pesquisadora da Fiocruz defende uma resposta integrada para conter a esporotricose, com mais acesso ao diagnóstico, tratamento e atendimento veterinário, além de capacitação profissional e ações de guarda responsável.

Entre as medidas citadas no material estão manter os gatos sem acesso livre à rua, castrá-los, buscar atendimento ao surgirem lesões suspeitas, seguir o tratamento até a alta e evitar contato com outros gatos e pessoas. Segundo o texto, o abandono de animais doentes e a circulação livre de gatos ajudam a perpetuar a transmissão.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

👁️ 54 visualizações
🐦 Twitter 📘 Facebook 💼 LinkedIn
compartilhamentos

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar

Comece a digitar e pressione o Enter para buscar