Isopor no colchão? Entenda o que pode estar dentro
EPS, ou poliestireno expandido, é permitido, mas especialistas alertam para a importância de ler a etiqueta e entender a composição do colchão.
Na hora de comprar um colchão, muita gente se guia pela firmeza, pelo preço e pela sensação imediata de conforto. Mas um ponto importante costuma passar despercebido: a composição interna do produto. É nesse espaço “escondido” que o EPS, sigla para poliestireno expandido — conhecido popularmente como isopor — tem ganhado espaço e levantado dúvidas no setor colchoeiro.
O que é o EPS e por que ele virou tema
O material é usado em diferentes indústrias e passou a integrar também a fabricação de colchões no Brasil, principalmente como base estrutural em modelos mistos. Segundo levantamento do portal Móveis de Valor, mais de 80% da indústria colchoeira já utiliza o EPS em seus processos produtivos.
O uso é permitido e regulamentado. Pela Portaria nº 35/2021 do Inmetro, a composição do colchão deve estar descrita na etiqueta do produto. Ainda assim, o debate não é apenas sobre regra, mas sobre clareza: o consumidor nem sempre associa “poliestireno expandido” ao isopor e, muitas vezes, não percebe que ele faz parte da estrutura.
Por que isso importa para quem compra
Especialistas do Instituto Nacional de Estudos do Repouso (INER) defendem que entender o que há dentro do colchão faz diferença na experiência de uso ao longo do tempo. De acordo com o instituto, materiais usados como espuma e apoio estrutural não entregam o mesmo comportamento quando submetidos a peso, movimento e desgaste diário.
“Estamos falando de um material permitido, mas que ainda não é plenamente compreendido por quem compra. O consumidor precisa saber o que está dentro do colchão e como isso pode impactar o uso ao longo do tempo”, afirma Cleriane Lopes Denipoti, diretora-executiva do INER.
O instituto também destaca que espumas são testadas por critérios como deformação, resiliência e fadiga. Já o EPS, segundo a avaliação citada no material, atua mais como base estrutural do que como camada voltada à adaptação do corpo, à distribuição de pressão e à manutenção do conforto ao longo do tempo.
O que pode mudar no uso diário
Na prática, a diferença entre os materiais nem sempre aparece na loja. O colchão pode parecer confortável no teste rápido, mas o comportamento real surge com o uso contínuo. O INER aponta que, dependendo da composição, podem ocorrer menor adaptação ao corpo, sensação de rigidez mais acentuada, retenção de calor, apoio desigual e perda de estabilidade.
Para fabricantes que não utilizam EPS, o argumento central é a previsibilidade do desempenho. A Colchões Castor, com mais de 60 anos de história, afirma não adotar o material. A Luckspuma também diz não usar EPS e considera o componente inadequado para a produção de colchões.
No fim das contas, a escolha vai além da primeira impressão. Ler a etiqueta, conhecer os materiais e entender o que cada camada faz pode ajudar a comprar com mais segurança e evitar surpresas depois.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



