Copa do Mundo 2026: estudo revela aumento de violência contra mulheres em dias de jogos
Levantamento do Instituto Natura e Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta crescimento nos registros de ameaça e lesão corporal durante partidas de futebol
Um estudo realizado pelo Instituto Natura, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, revelou um aumento preocupante nos registros de violência contra mulheres em dias de partidas de futebol. A pesquisa analisou microdados de ocorrências policiais e o calendário de jogos da Série A do Campeonato Brasileiro entre 2015 e 2018, focando nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre.
Os resultados indicam que os boletins de ocorrência (B.O.) de ameaça contra mulheres aumentam 23,7% em dias de jogos, enquanto os registros de lesão corporal sobem 20,8%. Quando a partida é disputada na cidade do time, o índice de lesão corporal chega a um aumento de 25,9%.
Perfil dos agressores e vítimas
A pesquisa aponta que a maioria dos agressores em dias de jogo são companheiros ou ex-companheiros das mulheres agredidas. Além disso, o estudo destaca a influência do racismo estrutural na vulnerabilidade das vítimas: em Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, mulheres negras representam metade ou mais dos casos de ameaça e agressão, chegando a 85% dos registros de agressão física na capital baiana.
Quanto à faixa etária, a maior parte das mulheres que registram ameaças tem entre 30 e 49 anos, enquanto os casos de lesão corporal concentram-se principalmente entre mulheres de 18 a 29 anos.
Contexto e recomendações
Beatriz Accioly, antropóloga e gerente do compromisso pelo Fim da Violência Contra Mulheres no Instituto Natura, ressalta que o problema não está no futebol em si, mas nas expressões de masculinidade associadas à competitividade, controle e agressividade que podem ser intensificadas nesses contextos. Segundo ela, esses fatores funcionam como catalisadores para violências já presentes em relações marcadas por desigualdades de gênero.
Com a aproximação da Copa do Mundo de 2026, o estudo reforça a importância de fortalecer serviços de apoio em dias de jogos, implementar políticas públicas específicas e promover campanhas de conscientização voltadas para estádios, transmissões e ambientes domésticos.
O levantamento também destaca o contexto mais amplo da violência de gênero no Brasil, onde, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero, em média quatro mulheres são mortas diariamente por serem mulheres.
Mais do que relacionar futebol e agressão, o estudo enfatiza a necessidade de compreender os padrões de risco para orientar estratégias eficazes de prevenção e proteção às mulheres.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



