Ansiedade: quando o alerta vira esgotamento

Psicóloga Maria Klien propõe olhar para a ansiedade como sinal do corpo e da mente, e não como vilã ou virtude.

A ansiedade não é, por si só, inimiga da vida. Essa é a provocação da psicóloga Maria Klien, que chama atenção para um ponto cada vez mais presente no cotidiano: o problema não está apenas em sentir ansiedade, mas em viver presa a um estado permanente de alerta.

Em vez de tratar o tema como vilão ou como sinal de desempenho, a especialista propõe um olhar mais amplo. Para ela, a ansiedade tem uma função natural de proteção e adaptação. O sofrimento começa quando esse mecanismo deixa de ser passageiro e passa a comandar a rotina, impedindo descanso, presença e até mesmo clareza emocional.

Quando o corpo não desliga

Segundo Maria Klien, a vida contemporânea estimula uma espécie de antecipação constante: crises, respostas, rejeições, perdas e cenários futuros parecem ocupar a mente antes mesmo de acontecerem. Nesse contexto, muitas pessoas confundem estar atentas com estar ameaçadas. O corpo fica tenso, o pensamento acelera e o descanso perde espaço.

Ela destaca que esse quadro se intensifica em uma cultura marcada pela hiperprodutividade, pelo excesso de estímulos e pela sensação de que pausar é quase um erro. Descansar pode ser visto como atraso, e isso contribui para que muita gente viva como se precisasse justificar a própria existência pela produção contínua.

Ansiedade também pode esconder outras emoções

Outro ponto levantado pela psicóloga é que, em alguns casos, a ansiedade funciona como uma forma de evitar contato com emoções mais profundas. Preocupações constantes podem manter a pessoa ocupada o suficiente para não encarar lutos, frustrações, vazios ou conflitos antigos que ainda não foram elaborados.

Por isso, a leitura sugerida por Maria Klien não é de combate automático, mas de escuta. A ansiedade, diz ela, pode ser um sinal de excesso, ruptura ou esgotamento — e não apenas um defeito a ser silenciado.

O risco de virar identidade

A especialista também chama atenção para outro fenômeno: a tendência de reduzir a própria complexidade ao rótulo de “ansiosa”. Quando isso acontece, a pessoa corre o risco de se enxergar apenas a partir de um estado emocional, sem espaço para outras partes da sua história, desejos e capacidades.

A mensagem central é clara: a ansiedade não precisa ser glorificada nem demonizada. Ela precisa ser compreendida. Em alguns momentos, será um alerta útil. Em outros, um sinal de que algo já passou do limite. O desafio está em perceber essa diferença antes que o alerta vire esgotamento.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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