Violência no Haiti fecha maternidade de MSF

Confrontos em Cité Soleil interrompem atendimento na Maternidade Isaïe Jeanty e deixam mulheres sem acesso seguro à saúde

A escalada da violência em Cité Soleil, no Haiti, levou a Médicos Sem Fronteiras (MSF) a suspender os atendimentos na Maternidade Isaïe Jeanty, apoiada pela organização em Porto Príncipe. A interrupção acontece após dias de confrontos armados nos arredores da unidade e agrava ainda mais o acesso, já muito limitado, a cuidados de saúde sexual e reprodutiva para milhares de pessoas, principalmente mulheres.

Atendimento suspenso após tiros nos arredores

Segundo o material divulgado pela organização, a violência se intensificou desde a noite de 13 de junho, com confrontos nos bairros de Belekou, Fort-Dimanche e Cais Jérémie. Os disparos chegaram a atingir diretamente os muros da maternidade, localizada no bairro de Chancerelles, gerando deslocamento e pânico entre as comunidades próximas.

Na noite de 15 de junho, mais de cem pessoas, em sua maioria mulheres e crianças, buscaram refúgio e água dentro da maternidade enquanto fugiam dos combates. Uma mulher foi atingida na perna por uma bala perdida dentro das dependências do hospital e foi estabilizada no local pelas equipes de MSF. O hospital da organização em Tabarre também recebeu pessoas feridas nos confrontos.

Mulheres ficam sem acesso seguro à saúde

Em Cité Soleil, onde vivem cerca de 300 mil pessoas, o cenário é especialmente crítico para quem precisa de atendimento ginecológico, obstétrico ou de emergência. Com a suspensão das atividades, o acesso das mulheres a cuidados de saúde na região se torna praticamente inexistente, num contexto em que muitas já enfrentavam dificuldades para chegar a serviços básicos.

No comunicado, Nicholas Tessier, coordenador de projeto de MSF no Haiti, afirmou: “Tentamos fornecer um nível mínimo de suporte vital à população com uma equipe reduzida e capacidade limitada. Atendemos várias mulheres que conseguiram chegar à maternidade apesar da insegurança, incluindo uma que deu à luz a gêmeos. Mas hoje não podemos mais continuar: o hospital está crivado de balas, nossas equipes estão exaustas e tornou-se extremamente difícil para as ambulâncias encaminharem pacientes e encontrarem instalações capazes de recebê-las”.

Proteção aos hospitais vira urgência

A suspensão da maternidade expõe um problema maior: quando a violência avança sobre unidades de saúde, quem mais sofre são mulheres grávidas, puérperas, recém-nascidos e famílias que dependem desses serviços para atendimento básico e de emergência. MSF reforça, no material, que grupos armados precisam respeitar civis e instalações médicas devem ser protegidas a todo custo.

Para a população de Cité Soleil, o fechamento representa mais do que a paralisação de um hospital. Significa a perda de um ponto de acolhimento em meio ao medo, à fuga e à impossibilidade de circular com segurança pela cidade.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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