Inverno amplia faltas e pressão nas empresas

Casos de gripe e outras infecções respiratórias aumentam equipes desfalcadas, sobrecarga e desafios de gestão no trabalho.

Com a chegada do inverno, as doenças respiratórias voltam a apertar a rotina das empresas. O aumento de casos de gripe e de outras infecções sazonais já pressiona equipes, exige reorganização de escalas e coloca líderes diante de um desafio que vai além do controle de faltas: manter a operação funcionando sem ignorar o bem-estar de quem adoece ou precisa cuidar da família.

O alerta vem acompanhado de números. O mais recente Boletim InfoGripe, da Fiocruz, aponta crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em praticamente todo o país e avanço da circulação da Influenza A antes mesmo do período tradicional de maior incidência. Até a Semana Epidemiológica 10 de 2026, mais de 20 mil casos de SRAG já haviam sido registrados no Brasil.

O efeito nas empresas vai além do atestado

Na prática, o problema não se resume ao colaborador afastado por alguns dias. Há profissionais que seguem trabalhando enquanto cuidam de filhos, pais idosos ou outros familiares doentes. Ao mesmo tempo, as equipes que permanecem ativas precisam absorver tarefas extras, reorganizar entregas e lidar com prazos apertados.

Para o médico do trabalho Marco Aurélio Bussacarini, especialista em saúde ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional, o período funciona como um teste para as lideranças. Ele afirma que o inverno exige preparo e sensibilidade, porque o impacto se espalha pela operação, pelo clima interno e pela confiança entre empresa e trabalhador.

Segundo ele, quando alguém sente que será julgado ou penalizado por precisar faltar para cuidar de um filho doente, isso gera ansiedade e desgaste emocional. A longo prazo, esse tipo de postura prejudica a relação com a organização.

Produtividade, saúde mental e retenção em pauta

Os reflexos também aparecem na produtividade. Um estudo publicado no Journal of Health Economics e apoiado pela Sanofi estimou que a influenza provocou a perda de aproximadamente 12,4 milhões de dias de produtividade no Brasil em 2019. O impacto econômico total foi calculado em R$ 5,6 bilhões, com cerca de 69% desse valor ligado a custos indiretos.

O tema ganha ainda mais peso diante do aumento das discussões sobre saúde mental e riscos psicossociais no trabalho. Dados citados pela Fundação Dom Cabral indicam quase meio milhão de afastamentos por transtornos mentais no Brasil em 2024. No mundo, a OMS estima perdas superiores a US$ 1 trilhão por ano em produtividade por problemas de saúde mental.

Na avaliação de Renato Mendes, CEO da Mendes Talent, o inverno expõe fragilidades de gestão que muitas empresas já carregam. Dependência excessiva de pessoas específicas, falta de processos estruturados e pouca preparação das lideranças costumam agravar os efeitos das ausências.

Em um cenário em que flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho pesam cada vez mais, o recado é claro: lidar bem com o inverno virou parte da maturidade organizacional. A forma como a empresa responde a esses períodos pode influenciar engajamento, retenção de talentos e a cultura que fica depois que a estação passa.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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