Copa e autismo: dicas para torcer com mais conforto

Neurologista explica como sons, luzes e multidões podem sobrecarregar adultos autistas e o que ajuda a reduzir o desconforto.

A Copa do Mundo é uma celebração global, mas para muitos adultos neurodivergentes, como aqueles com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), o evento pode representar um desafio sensorial significativo. Ruídos intensos, luzes piscantes e grandes multidões podem transformar a experiência em um momento de desconforto e sobrecarga.

Desafios sensoriais em ambientes esportivos

O neurologista Dr. Matheus Trilico, especialista em TEA e TDAH em adultos, destaca que a inclusão vai além do acesso físico, exigindo compreensão das respostas neurobiológicas a ambientes altamente estimulantes. Sons como gritos, fogos e vuvuzelas, combinados com luzes fortes e aglomerações, podem causar desregulação emocional e prejuízo funcional imediato para pessoas neurodivergentes.

Estima-se que cerca de 1% da população mundial seja autista, enquanto o TDAH afeta entre 5% e 8% dos adultos globalmente. Além disso, até 70% das pessoas autistas apresentam sintomas significativos de TDAH, configurando uma sobreposição neurológica que traz demandas contraditórias, como a busca por rotina e controle sensorial do autismo versus a necessidade de novidade e estímulo constante do TDAH.

O impacto do masking na saúde mental

O masking — estratégia usada por adultos neurodivergentes para simular comportamentos neurotípicos e evitar estigmas — pode esconder o sofrimento real. Dr. Trilico alerta que esse esforço contínuo pode levar a burnout, ansiedade e exaustão profunda, que pode persistir por dias após o evento.

Estratégias para uma experiência mais confortável

Para quem deseja participar de eventos esportivos com maior conforto, o neurologista recomenda:

  • Uso de fones com cancelamento de ruído para filtrar sons intensos sem isolamento total;
  • Identificação de áreas mais silenciosas para pausas e descompressão;
  • Combinação de sinais com acompanhantes para indicar limites sensoriais e facilitar saídas estratégicas;
  • Planejamento de intervalos regulares para autorregulação antes da sobrecarga.

Validação de diferentes formas de torcer

Assistir aos jogos em casa, com controle sobre volume e iluminação, ou engajar-se por meio de estatísticas e comunidades digitais, são formas legítimas e inclusivas de participar da festa do futebol. O neurologista reforça que não existe uma única maneira correta de ser torcedor.

Ao reconhecer e respeitar a diversidade neurológica, a sociedade avança em empatia e inclusão, especialmente em eventos como a Copa do Mundo.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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