Bengalas inteligentes ampliam autonomia de pessoas com deficiência visual
Três protótipos foram apresentados em Brasília após desafio da ABDI e do Governo do Paraná
Na última quinta-feira (18), Brasília sediou a apresentação de três protótipos de bengalas inteligentes desenvolvidas para ampliar a autonomia e a segurança de pessoas cegas e com baixa visão. Essas soluções foram resultado do Desafio de Inovação Bengalas Inteligentes, uma iniciativa da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) em parceria com o Governo do Paraná.
O principal objetivo dos projetos é superar uma limitação comum das bengalas tradicionais: a dificuldade em detectar obstáculos localizados acima da linha da cintura. Durante o evento, pessoas com deficiência visual tiveram a oportunidade de experimentar as tecnologias desenvolvidas pelas equipes vencedoras.
Desenvolvimento centrado no usuário
André Rauen, gerente do Hubtec – Escritório de Compras Públicas para Inovação da ABDI, destacou que o desafio buscou soluções que aumentassem a segurança dos usuários. Ele ressaltou a importância da participação direta das pessoas cegas e com baixa visão durante todo o processo de criação, com o intuito de transformar os protótipos em produtos que realmente impactem a vida dessas pessoas.
Airton Dutra, diretor do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais da Asa Sul, reforçou a relevância da tecnologia para ampliar a autonomia e a confiança no deslocamento. Segundo ele, a bengala é essencial para garantir o direito de ir e vir, e a incorporação de tecnologia traz mais segurança e liberdade para os usuários.
Joana Neta Lima, de 53 anos, que testou as soluções, avaliou que as bengalas inteligentes podem ajudar a reduzir acidentes e facilitar a locomoção. Ela comentou que as tecnologias se adaptaram bem à sua altura e realidade, ressaltando que muitos acidentes que sofreu poderiam ter sido evitados com esse tipo de bengala.
Projetos premiados
A primeira colocada foi a Bia Radar, da empresa paranaense Neosenti, que recebeu R$ 500 mil. O dispositivo utiliza radar para identificar obstáculos e ampliar a percepção espacial dos usuários, contribuindo para uma navegação mais segura em ambientes urbanos.
Em segundo lugar ficou a Sigma, desenvolvida pelas empresas Desenharia Industrial Design e J Vetech, também do Paraná, premiada com R$ 300 mil. O sistema é adaptável a bengalas convencionais e identifica obstáculos suspensos, informando o usuário por meio de vibração e sinais sonoros, sem alterar o design tradicional da bengala.
O terceiro projeto premiado foi a Vereda, vinculada à Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), do Distrito Federal, que recebeu R$ 200 mil. A solução consiste em um módulo inteligente acoplável a bengalas tradicionais, com recursos de orientação e navegação, podendo ser conectado via bluetooth a celulares ou óculos inteligentes.
Perspectivas futuras
Além do aporte financeiro, os projetos contarão com o apoio da ABDI para avançar nas etapas de desenvolvimento, validação tecnológica e conexão com redes de inovação e oportunidades de financiamento. A expectativa é que essas soluções evoluam para versões comercialmente viáveis, ampliando o acesso a tecnologias que promovam autonomia, segurança e inclusão para pessoas com deficiência visual.
Breno Alencar, diretor de Inovação Aberta e Governança de Dados da Empresa Municipal de Informática (Emprel), destacou que as propostas se destacaram pela aderência às necessidades do público-alvo e pelo potencial de mercado, incluindo perspectivas de integração ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



