A maioria já inventou uma versão “mais aceitável” para dizer como conheceu o parceiro

Mesmo na era dos aplicativos, muitos casais ainda adaptam a história do começo da relação para evitar julgamentos sociais

Pesquisa revela que a maioria das pessoas já inventou versão ‘mais elegante’ para contar como conheceu alguém

Muitos casais vivem relações modernas, mas ainda contam histórias tradicionais

Apesar de vivermos na era dos aplicativos e das redes sociais, a forma como alguns casais contam como se conheceram ainda segue um roteiro mais “tradicional”. Conhecer alguém por meio de plataformas digitais já faz parte da rotina de milhões de brasileiros, mas muitos preferem dizer que o encontro aconteceu numa festa, por indicação de amigos ou em situações consideradas mais convencionais.

O MeuPatrocínio ouviu 5.458 usuários cadastrados na plataforma, entre Sugar Babies e Sugar Daddies, para entender como eles apresentam seus relacionamentos a amigos e familiares. O resultado: 74,2% já inventaram ou adaptaram uma versão mais “aceitável” para explicar como conheceram o parceiro. O dado revela que, embora os hábitos amorosos tenham mudado, a preocupação em apresentar o relacionamento de forma socialmente aceita ainda persiste.

A pesquisa também mostra que 12,3% contaram a verdade e receberam olhares de estranhamento ou reações preconceituosas, enquanto 13,5% foram honestos e tiveram uma recepção natural, em alguns casos, até de apoio.

Para Caio Bittencourt, especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio, o incômodo vai além do modelo sugar: “O que incomoda muita gente não é o sugar em si, é o fato de que, pela primeira vez, as mulheres estão negociando seus termos em voz alta e com protagonismo. Isso na visão de algumas pessoas, tira o romance da fantasia e coloca maturidade na mesa. E maturidade, como sabemos, assusta quem ainda vive no século passado”

Bittencourt aponta que a necessidade de editar a própria história está ligada ao desejo de validação social. O relacionamento pode ser plenamente satisfatório para os envolvidos, mas a preocupação com a opinião alheia leva à construção de uma narrativa mais alinhada às expectativas tradicionais.

As pessoas estão cada vez mais abertas a novas formas de conexão, mas nem sempre se sentem à vontade para falar sobre elas com total transparência.

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Por Caio Bittencourt

especialista em comportamento afetivo e relacionamentos do MeuPatrocínio

Artigo de opinião

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