Pesquisa revela normalização de controle em relações no Sul

Movimento Mulher 360 e Datafolha apontam contradições na percepção sobre violência de gênero

Uma pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Movimento Mulher 360 revelou percepções contraditórias sobre a violência de gênero no Brasil, com destaque para a região Sul. O levantamento mostra que, apesar de a maioria dos sulistas considerar a violência contra a mulher o crime mais grave do país, muitas atitudes de controle e manipulação ainda não são reconhecidas como formas de violência.

Controle sobre roupas e senhas não é visto como violência

Entre os 300 moradores da região Sul entrevistados, 63% não consideram violência o fato de um homem pedir que a parceira troque de roupa, alegando que ela não seria respeitada na rua. Desses, 44% avaliam a atitude como problemática, mas não a classificam como violência, enquanto 19% a veem como algo normal entre casais.

De forma semelhante, 58% dos sulistas não consideram violência o fato de o homem ter acesso às senhas das redes sociais da companheira. Dentro desse grupo, 38% julgam a situação problemática, mas não violenta, e 17% a consideram uma dinâmica normal entre casais.

Reconhecimento tardio da violência psicológica

O levantamento destaca que a violência de gênero não se limita às agressões físicas, mas inclui comportamentos de controle, manipulação e privação da liberdade. A diretora-executiva do Movimento Mulher 360, Margareth Goldenberg, ressalta que há um vazio de reconhecimento nas etapas anteriores à violência física, o que dificulta a interrupção do ciclo abusivo.

Segundo Goldenberg, quando esses sinais não são socialmente reconhecidos como violência, tanto homens quanto mulheres tendem a normalizar comportamentos abusivos por mais tempo, o que reduz a prevenção e a busca por ajuda precoce. Muitas mulheres só percebem que estão em situação de violência quando ela já escalou para agressões físicas ou ameaças.

Contradições e desafios culturais

Apesar de 62% dos sulistas considerarem a violência contra a mulher o crime mais grave do país, 30% concordam total ou parcialmente com o ditado popular “em briga de marido e mulher, não se mete a colher”, e 3% não concordam nem discordam. Esse dado evidencia desafios culturais na percepção e enfrentamento da violência de gênero.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todo o Brasil, incluindo os 300 moradores da região Sul. O Movimento Mulher 360 destaca a importância da conscientização, políticas públicas eficazes e o engajamento de empresas e sociedade para combater a violência contra a mulher.

Reconhecer comportamentos abusivos como controle sobre roupas, invasão de privacidade e manipulação é fundamental para que as mulheres possam buscar proteção e apoio antes que a violência se agrave.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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