O algoritmo não tem coração: o alerta sobre os perigos do Roblox na pré-adolescência

Entre curiosidade, algoritmos e desafios perigosos, um alerta sobre como plataformas digitais podem expor crianças e adolescentes a conteúdos tóxicos e comportamentos de risco.

Armando Kolbe Junior* Como professor e pesquisador que dedicou a vida à tecnologia, sempre defendi a internet como o maior ecossistema de aprendizado já criado. No entanto, em recentes e frequentes encontros com outros avôs e famílias, um tema acendeu um sinal de alerta vermelho que não posso ignorar. O relato é quase sempre o mesmo: a preocupação com netos e jovens, na faixa dos 10 aos 12 anos, que ao jogarem Roblox, acabam imersos em ambientes saturados de palavras de baixo calão e, pior, demonstrando interesse por “jogos de desmaiar”, desafios virtuais de asfixia que podem levar à morte.

Essas conversas me fizeram refletir profundamente, não apenas como profissional de segurança da informação, mas como cidadão atento às transformações sociais. O Roblox, muitas vezes subestimado pelos pais como um mero “Lego virtual”, tornou-se um território complexo. Por trás de gráficos coloridos e infantis, escondem-se subcomunidades tóxicas que miram justamente nos nossos jovens que estão entrando na adolescência.

Minha maior preocupação científica e pedagógica é com a dessensibilização cognitiva. No início da adolescência, o córtex pré-frontal, região cerebral responsável pelo julgamento crítico e pelo controle de impulsos, ainda está em pleno desenvolvimento. Para um jovem brilhante dessa idade, a linha entre a “segurança do avatar” no jogo e o perigo real do próprio corpo pode se tornar perigosamente tênue. Movidos pela curiosidade natural e pela busca de pertencimento típica dessa fase, eles são induzidos a testar limites físicos reais baseados em estímulos virtuais. O que começa como diversão em uma tela pode terminar em uma tragédia irreversível no tapete do quarto.

Os algoritmos das plataformas não possuem ética nem moralidade; eles buscam engajamento bruto. Se o jovem clica em um conteúdo de risco, o sistema entende aquilo como interesse e entrega ainda mais do mesmo tipo de conteúdo, aprisionando-o em uma bolha de perigo.

O erro de nós, adultos, é a omissão confortável. Não podemos delegar a segurança de nossos jovens aos moderadores de plataformas digitais. Diante do que tenho escutado de tantas famílias, defendo que monitorar não é invadir a privacidade; é exercer o dever de proteção por meio do diálogo aberto, da configuração rigorosa do controle parental e, principalmente, de uma presença ativa e acolhedora.

Quero dedicar este espaço a você, jovem que está crescendo nessa era digital. Sei que você é antenado, inteligente e domina o mundo das telas muito melhor do que as gerações passadas.

A internet é um universo fantástico para criar e se divertir, mas você precisa ser esperto o suficiente para perceber quando está sendo manipulado. Muitas comunidades virtuais tentam fazer parecer que falar palavrões pesados ou participar de “jogos de desmaiar” (como prender a respiração para ver o que acontece) é sinal de coragem, maturidade ou de que você é “descolado”. Não é.

Na verdade, os criadores desses desafios idiotas usam a sua curiosidade apenas para ganhar visualizações, cliques e dinheiro. Eles não se importam com a sua saúde. O cérebro humano é a máquina mais poderosa do mundo, mas ele precisa de oxigênio a cada segundo para funcionar. Brincar com o desmaio significa cortar o combustível do seu cérebro.

Você é inteligente demais para cair em uma armadilha tão boba. Ser verdadeiramente maduro no mundo digital significa ter a postura e a atitude de dizer: “Isso aqui é ridículo, vou jogar outra coisa”. Não deixe que telas e algoritmos controlem a sua mente.

A tecnologia deve servir ao conhecimento e à evolução humana, nunca à destruição. Ouvir o clamor das famílias e unir a nossa experiência adulta na supervisão de segurança com o potencial e a inteligência dos nossos adolescentes é o único caminho. Precisamos garantir que o mundo digital continue sendo um espaço de descoberta segura, e não de risco. O clique final sempre deve ser o da nossa consciência.

*Armando Kolbe Junior é Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento, mestre em Tecnologias e Sociedade, especialista em Segurança da Informação e professor nos cursos de Administração, Contábeis e Análise e Desenvolvimento de Sistemas no Centro Universitário Internacional Uninter.

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Por Armando Kolbe Junior

Doutor em Engenharia e Gestão do Conhecimento, mestre em Tecnologias e Sociedade, especialista em Segurança da Informação, professor nos cursos de Administração, Contábeis e Análise e Desenvolvimento de Sistemas no Centro Universitário Internacional Uninter

Artigo de opinião

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