Dispositivo brasileiro de saúde mental criado em Santos amplia uso no país
Capacete de fotobiomodulação transcraniana aprovado pela Anvisa já está presente em mais de 40 clínicas e consultórios brasileiros
Uma tecnologia desenvolvida e fabricada em Santos, no litoral de São Paulo, vem ampliando sua presença no tratamento de transtornos neurológicos e psiquiátricos. Aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o capacete de fotobiomodulação transcraniana criado pela HeadUp e produzido pela Santos Tecnologia, empresa do Grupo Santos Tec, já é utilizado em mais de 40 clínicas e consultórios distribuídos por 16 estados brasileiros.
Com a aprovação regulatória e a expansão do uso do equipamento, a Baixada Santista também passa a ganhar espaço como polo de inovação na área da saúde, com uma solução desenvolvida na região sendo aplicada em pacientes com depressão refratária e enxaqueca crônica.
Como funciona a fotobiomodulação transcraniana
O equipamento utiliza luz infravermelha para estimular processos celulares no cérebro. A técnica emprega comprimentos específicos de luz para atuar em regiões cerebrais relacionadas ao humor, à percepção da dor e às funções cognitivas.
O capacete possui 256 LEDs infravermelhos e utiliza luz com comprimento de onda de 810 nanômetros. Segundo as informações técnicas da empresa, a aplicação busca estimular a atividade mitocondrial das células cerebrais, contribuindo para processos relacionados à oxigenação, à regeneração e à modulação neuroquímica.
O dispositivo também permite ajustes de intensidade e frequência de acordo com o protocolo clínico adotado e deve ser utilizado exclusivamente sob prescrição médica.
A HeadUp afirma que o equipamento é o primeiro dispositivo brasileiro voltado ao uso médico em transtornos neurológicos e psiquiátricos por meio da fotobiomodulação transcraniana. O capacete conta ainda com certificações da Anvisa e do Inmetro.
Estudos avaliam uso contra depressão refratária
A utilização da tecnologia é respaldada por estudos internacionais e por pesquisas clínicas realizadas no Brasil, incluindo trabalhos conduzidos em instituições como a Universidade de Pernambuco (UPE) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
De acordo com o psiquiatra Dennison Monteiro, responsável por um dos estudos realizados com o equipamento, os resultados observados entre pacientes com depressão refratária são promissores.
Entre os participantes que concluíram o protocolo clínico, 41% apresentaram resposta ao tratamento. Segundo o especialista, o índice é semelhante ao observado em terapias mais complexas, como a estimulação magnética transcraniana.
“Estamos aplicando a fotobiomodulação transcraniana com um capacete de 256 LEDs infravermelhos, em sessões de 20 minutos, três vezes por semana, durante quatro semanas. Os resultados têm se mostrado muito consistentes na prática clínica”, afirma Monteiro.
Pesquisa aponta redução das crises de enxaqueca
Na área da neurologia, a médica Idele Guimarães também observou benefícios entre pacientes com enxaqueca crônica acompanhados durante pesquisas com a tecnologia.
Segundo a pesquisadora, os pacientes apresentaram redução na frequência e na intensidade das crises, além de menor uso excessivo de analgésicos e melhora na qualidade de vida.
Os dados divulgados indicam uma redução de 39% no número de dias com dor de cabeça, acompanhada de uma menor necessidade de medicamentos analgésicos.
Tecnologia nacional com aplicação clínica
Para Marcelo Chagas, responsável pelo projeto, o diferencial da tecnologia está na combinação entre desenvolvimento nacional, validação científica e aplicação prática.
“Não encontramos no Brasil um produto com esse nível de especificidade para transtornos mentais. Nossa proposta é entregar ciência, não promessa de bem-estar”, afirma Chagas.
Segundo ele, a aprovação da Anvisa representa um marco para a inovação desenvolvida na Baixada Santista e amplia as possibilidades de utilização da tecnologia em clínicas, consultórios e hospitais.
Com foco na inovação científica e na ampliação do acesso a tratamentos avançados, a HeadUp desenvolveu o dispositivo como uma alternativa não invasiva e baseada em evidências científicas para aplicações em neurologia e saúde mental.
Além da depressão e da enxaqueca, a empresa informa que o equipamento pode ser utilizado, sempre sob prescrição médica e de acordo com protocolos clínicos, em condições relacionadas ao sistema nervoso central, como a doença de Parkinson e a demência de Alzheimer.
Texto atualizado a partir de informações da assessoria de imprensa, com ajuda da estagiárIA.



