UFSCar investiga impacto da vigilância no teletrabalho e saúde

Pesquisa em parceria com Universidade Paris 8 convida trabalhadores remotos e híbridos de todo o Brasil

Como a vigilância no teletrabalho influencia a rotina, a produtividade e a saúde dos trabalhadores? Essa é a questão central de uma pesquisa de doutorado realizada no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a Universidade Paris 8, na França.

O estudo busca compreender de que forma a implementação de sistemas de monitoramento no trabalho remoto transforma a atividade profissional e quais são as consequências dessa dinâmica para o bem-estar dos trabalhadores. Para isso, convida pessoas de todas as regiões do Brasil que atuem ou já tenham atuado em regime remoto ou híbrido, incluindo trabalhadores e gestores, a participarem por meio de entrevistas e questionários eletrônicos.

Objetivos da pesquisa

O foco da investigação está nos softwares e dispositivos utilizados para controlar o teletrabalho. Entre eles, ferramentas que simulam presença, como sistemas de ponto eletrônico e salas de reunião online, além de programas que monitoram as interações dos trabalhadores com os dispositivos, geram relatórios de produtividade e, em alguns casos, registram cliques, capturam a tela e contabilizam o tempo gasto em aplicativos.

O projeto é conduzido pelo doutorando Giovane Ziotti, sob orientação do professor Daniel Braatz, do Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar, e coorientação da professora Sandra Gemma, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp.

Teletrabalho, saúde e vida pessoal

Ziotti destaca que o teletrabalho se expandiu significativamente durante a pandemia de Covid-19, e que essa modalidade já vinha sendo estudada em áreas como Engenharia do Trabalho, Ergonomia da Atividade e Psicodinâmica do Trabalho. Estudos anteriores apontam desafios como a dificuldade de separar a vida pessoal da profissional ao trabalhar em casa, mas também benefícios percebidos, como menor exposição à violência urbana, redução do tempo de deslocamento e possibilidade de residir em locais mais acessíveis.

A pesquisa pretende discutir como a organização do teletrabalho, especialmente quando associada a ferramentas de vigilância, afeta a relação dos trabalhadores com o trabalho, as dinâmicas de sofrimento e prazer, além dos possíveis adoecimentos laborais.

Participação e financiamento

Podem participar da pesquisa pessoas que atuem ou tenham atuado em regime de teletrabalho integral ou híbrido, de qualquer região do Brasil. Os voluntários serão convidados a preencher formulários específicos e participar de entrevistas online.

O projeto conta com financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e foi aprovado pelo Comitê de Ética da UFSCar (CAAE: 93566825.6.0000.5504). Além da pesquisa empírica, a tese também inclui uma análise comparativa da legislação trabalhista francesa e brasileira sobre o teletrabalho.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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