Albinismo: cuidados com visão e pele sem mitos
Especialistas esclarecem dúvidas sobre fotofobia, proteção solar e acompanhamento precoce para preservar a saúde e a autonomia
O albinismo ainda é cercado por desinformação — e isso pode impactar diretamente a saúde e a qualidade de vida de quem tem a condição. Entre os mitos mais comuns estão a ideia de que toda pessoa com albinismo é cega, de que não pode tomar sol em hipótese alguma e de que os cuidados com a pele só importam na praia. Especialistas ouvidos pelo CEJAM esclarecem o que é verdade e reforçam a importância da prevenção.
Visão: nem todo caso é igual
Segundo a oftalmologista Dra. Fernanda Wiezel, do Hospital Dia M’Boi Mirim II, a capacidade visual varia bastante entre pessoas com albinismo. Há casos em que a visão pode corresponder a cerca de 50% do normal, enquanto em outros pode ser inferior a 10%. Ou seja: nem todas as pessoas apresentam cegueira ou deficiência visual severa.
As alterações mais comuns estão ligadas à redução ou ausência de melanina nos olhos. Isso pode provocar fotofobia, redução da acuidade visual, alterações no campo visual e erros refrativos, como miopia, astigmatismo e hipermetropia.
A sensibilidade à luz também costuma ser intensa e interfere em atividades do dia a dia, como leitura, uso de computador e deslocamentos ao ar livre. Para ajudar, a especialista recomenda medidas simples, como uso de óculos escuros, bonés e filtros para controle da luminosidade em telas.
Proteção solar precisa ser diária
Na pele, o cuidado também é contínuo. O dermatologista Dr. Eduardo Rebechi, do Hospital Dia Campo Limpo, explica que pessoas com albinismo podem, sim, tomar sol — mas com proteção redobrada. O ideal é evitar os horários de maior intensidade da radiação, preferindo atividades ao ar livre antes das 10h e após as 16h.
Além disso, ele orienta o uso de filtro solar com FPS 50 ou superior, roupas com proteção UV, chapéus ou bonés e óculos de sol com proteção contra raios ultravioleta.
Outro ponto importante é o risco aumentado de câncer de pele. A ausência ou baixa produção de melanina deixa a pele mais vulnerável a queimaduras solares e danos acumulativos. Feridas que não cicatrizam, manchas que mudam de cor ou tamanho, sangramentos espontâneos e lesões persistentes devem ser avaliados por um dermatologista.
Diagnóstico precoce faz diferença
O acompanhamento desde cedo também é essencial. O diagnóstico precoce ajuda a proteger a visão na infância e permite identificar condições associadas, como catarata congênita, estrabismo e nistagmo. Com isso, a criança pode receber intervenções mais rápidas e ter melhor desenvolvimento visual.
No fim das contas, a mensagem é clara: com informação correta, acompanhamento médico e adaptações simples, pessoas com albinismo podem estudar, trabalhar e viver com autonomia. Combater mitos é parte do cuidado — e também da inclusão.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



