56% dos brasileiros não veem controle digital como violência contra a mulher
Pesquisa Datafolha revela dificuldade em reconhecer controle nas redes sociais como abuso
Uma pesquisa realizada pelo Datafolha a pedido do Movimento Mulher 360 revelou que 56% dos brasileiros ainda não reconhecem o controle de redes sociais como uma forma de violência contra a mulher. Esse tipo de controle inclui práticas como exigir acesso a senhas e monitorar conversas, que apenas 44% dos entrevistados classificam como violência.
O levantamento, que ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos em todo o Brasil, também apontou que 41% consideram essas situações problemáticas, mas não as definem como violência, enquanto 15% veem esses comportamentos como normais entre casais. Esses dados evidenciam a dificuldade em identificar manifestações de violência psicológica e controle, frequentemente confundidas com demonstrações de amor ou cuidado, apesar dos impactos negativos na saúde emocional, autoestima e liberdade das mulheres.
Reconhecimento regional do problema
O estudo mostrou que o reconhecimento do controle digital como violência varia pouco entre as regiões brasileiras: 45% no Sudeste, 44% no Nordeste e Norte, 42% no Sul e 40% no Centro-Oeste. Essa uniformidade indica que a naturalização do controle digital é um fenômeno presente em todo o país.
Violência contra a mulher como questão social
Margareth Goldenberg, diretora-executiva do Movimento Mulher 360, destaca que “os dados mostram que ainda existe uma compreensão limitada sobre comportamentos de controle que acontecem dentro dos relacionamentos. Muitas vezes, práticas abusivas são interpretadas como demonstrações de afeto, cuidado ou proteção, quando, na realidade, representam restrições à liberdade, à privacidade e à autonomia das mulheres”.
Ela ressalta ainda que a violência contra a mulher deixou de ser vista apenas como um tema privado ou feminino, tornando-se uma questão central de segurança pública e social que exige conscientização e atuação coletiva.
Gravidade da violência contra a mulher
Além disso, 61% dos brasileiros apontaram a violência contra a mulher como a forma de criminalidade mais grave do país, superando o tráfico de drogas (16%) e o assalto à mão armada nas ruas (10%).
O Movimento Mulher 360 reforça a importância de ampliar o debate sobre violência psicológica e controle digital, destacando que a violência contra a mulher também se manifesta por meio da vigilância constante, invasão de privacidade e monitoramento online. Reconhecer esses comportamentos precocemente é fundamental para prevenir que evoluam para formas mais graves de violência.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



