Reconstrução mamária: estudo aponta benefícios e riscos
Pesquisa com participação da SBM analisou implantes pré e subpeitorais após mastectomia e trouxe dados sobre dor, satisfação e complicações.
Um estudo apresentado no congresso 2026 da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) trouxe novos dados sobre um tema importante na reconstrução mamária após a mastectomia: o posicionamento do implante de silicone, na frente ou atrás do músculo peitoral. A pesquisa, que contou com participação da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), reuniu 383 pacientes em 26 centros de 10 países e avaliou benefícios e riscos das duas técnicas.
A discussão é relevante porque o lugar em que a prótese é colocada pode influenciar a recuperação, o conforto e a satisfação das pacientes. No estudo, metade das reconstruções foi feita com implante pré-peitoral, isto é, na frente do músculo, e a outra metade com posicionamento subpeitoral, atrás da musculatura peitoral.
O que o estudo encontrou
Segundo o mastologista Regis Paulinelli, presidente do Departamento de Relações Internacionais da SBM e autor da pesquisa, a investigação chegou a evidência científica nível 1, por ser randomizada. Ele afirma que, entre as mulheres que receberam a prótese por cima do músculo, houve menos contratura capsular e, no primeiro momento, maior satisfação com a reconstrução mamária e com o bem-estar físico.
Após 24 meses, porém, a análise com o questionário Breast-Q, usado para medir qualidade de vida e satisfação depois de cirurgias mamárias, mostrou outras percepções. O estudo listou dor na mama ou no tórax, sensação de aperto, sensibilidade dolorosa, desconforto persistente, dificuldade para movimentar os braços, dificuldade para dormir e linfedema entre os desfechos observados.
Como fatores adicionais, a pesquisa também considerou a perda não planejada do implante, a necessidade de substituição e a possibilidade de extrusão da prótese, apontada em 6%.
Por que isso importa para as pacientes
No grupo submetido ao implante subpeitoral, o bem-estar físico torácico após 24 meses foi de 74,3, contra 79,2 entre as pacientes com implante pré-peitoral. Para Paulinelli, os dados trazem avanços importantes para a prática oncológica porque ajudam a tomar decisões com mais segurança.
Na prática, isso significa considerar não só a técnica cirúrgica, mas também as características de cada paciente e de cada tumor. Em um tema tão delicado quanto a reconstrução mamária, ter mais evidência científica pode fazer diferença na conversa entre médica e paciente e na escolha do caminho mais adequado para cada caso.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



