Saneamento universal pode gerar empregos e melhorar o ENEM
Nova edição da MIT Technology Review destaca impactos econômicos, ambientais e sociais da expansão do saneamento em São Paulo
Levar água tratada e esgoto coletado para toda a população pode ir muito além da obra em si. Segundo uma nova edição da MIT Technology Review, produzida a partir do case da Sabesp em São Paulo, a universalização do saneamento tem potencial para reduzir emissões, gerar empregos, aumentar a renda e até melhorar o desempenho escolar.
A publicação reúne estudos, entrevistas e análises sobre os efeitos esperados do plano de expansão da companhia, que prevê R$ 260 bilhões até 2060 nos mais de 370 municípios atendidos. A estimativa é de impacto de R$ 330 bilhões no PIB brasileiro no mesmo período, considerando ganhos que vão do mercado de trabalho à educação.
O que muda quando o saneamento chega
Um dos pontos mais fortes do levantamento é a dimensão social. O estudo “Impactos Socioeconômicos da Desestatização da Sabesp” estima influência direta no PIB até 2060 e a geração de cerca de 4,6 milhões de empregos. Outro dado chama atenção: a renda média de quem vive em áreas atendidas é de R$ 3.359, contra R$ 2.103 entre quem não tem acesso ao saneamento básico.
Isso ajuda a explicar por que a falta de saneamento pesa tanto no dia a dia. Sem coleta e tratamento de esgoto, aumentam doenças, faltas ao trabalho e dificuldades para manter a produtividade — especialmente entre trabalhadores informais, que muitas vezes deixam de receber quando não conseguem trabalhar.
Impacto na escola e na saúde
O efeito também aparece na educação. Segundo a publicação, jovens que vivem em domicílios com banheiro próprio têm notas superiores no ENEM, principalmente em matemática e redação. A diferença conversa com outro dado: alunos com acesso a saneamento em casa têm escolaridade média de 8,49 anos, contra 5,31 anos entre aqueles sem acesso.
Na saúde pública, a lógica é direta. Doenças como diarreia, leptospirose e dengue estão associadas à falta de saneamento e geram custos ao sistema. A Organização Mundial da Saúde estima que, para cada US$ 1 investido em água e saneamento, há economia de US$ 4,3 em custos de saúde no mundo.
Saneamento também é clima
O estudo mostra ainda que o saneamento pode funcionar como ativo climático. A Sabesp projeta que, com a expansão da universalização e a adoção de tecnologias menos emissoras nas estações de tratamento, será possível reduzir em até 9,1 milhões de toneladas de CO₂ equivalente até 2050.
Hoje, segundo a companhia, os efluentes representam 88% das suas emissões de gases de efeito estufa. Por isso, a estratégia climática passa pela expansão do tratamento de esgoto e pela modernização de grandes estações, como ABC, Barueri, São Miguel, Suzano e Parque Novo Mundo.
O recado da edição é claro: saneamento não é só infraestrutura. É saúde, desenvolvimento, educação e clima na mesma pauta.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



