Apoio da empresa acelera volta ao trabalho após câncer
Estudo da Sociedade Brasileira de Mastologia aponta que suporte do empregador e readaptação funcional pesam mais que fatores clínicos na reintegração.
Depois do tratamento de câncer de mama, voltar ao trabalho pode ser tão desafiador quanto enfrentar a própria doença. Um novo estudo publicado na revista Mastology, da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), mostra que o apoio da empresa é um dos fatores mais importantes para essa retomada — e, em muitos casos, pesa até mais do que as condições clínicas.
A pesquisa analisou 300 servidoras públicas estaduais de São Paulo diagnosticadas com câncer de mama não metastático e submetidas a tratamento cirúrgico no Hospital do Servidor Público Estadual Francisco Morato de Oliveira (HSPE-SP) entre outubro de 2021 e dezembro de 2022. Entre as participantes, 74,3% voltaram ao trabalho em até 18 meses após o tratamento, e 80,6% retornaram nos primeiros seis meses.
O que mais ajuda na volta
Segundo o estudo, mulheres com doença em estágio inicial, tumores menores e sem comprometimento linfonodal tiveram mais chances de retomar as atividades profissionais. Já casos mais avançados, que exigiram procedimentos como mastectomia e dissecção axilar, estiveram associados a taxas menores de retorno.
Mas o dado que mais chama atenção está fora do consultório: trabalhadoras que receberam apoio do chefe ou da empresa após o diagnóstico tiveram o dobro de chance de voltar ao trabalho. Quando o empregador ofereceu readaptação funcional, a probabilidade de reintegração foi três vezes maior.
Saúde emocional também conta
O estudo aponta que as principais barreiras para não retomar a rotina foram psicológicas. Depressão e ansiedade pós-tratamento apareceram em 54,5% dos casos, seguidas por sequelas físicas do tratamento oncológico, citadas por 36,4% das participantes. Relatos de discriminação por parte do empregador também se associaram a menor chance de retorno.
Por outro lado, as mulheres que conseguiram voltar ao trabalho apresentaram melhores resultados em indicadores de qualidade de vida, especialmente no funcionamento físico, na vida social, na imagem corporal e na perspectiva de futuro.
Um recado para empresas e líderes
O estudo reforça que a reintegração profissional após o câncer de mama não depende só do tratamento médico. Estabilidade no emprego, sistema de saúde ocupacional estruturado, suporte psicossocial e readaptação funcional aparecem como aliados importantes para que a mulher consiga reorganizar a vida após a doença.
Na prática, a pesquisa sugere um caminho claro: acolher, adaptar e evitar discriminação pode fazer diferença real na recuperação e no retorno à rotina de trabalho.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



