TAPS em gêmeos: condição silenciosa exige atenção

Sequência anemia-policitemia entre gêmeos idênticos pode passar sem sinais claros e requer diagnóstico especializado na gestação monocoriônica.

Uma condição rara e pouco conhecida na gestação de gêmeos idênticos pode trazer riscos importantes para os bebês mesmo sem sinais evidentes nos exames de rotina. A TAPS, sigla para Sequência Anemia-Policitemia entre Gêmeos, afeta gestações monocoriônicas — quando os dois fetos compartilham a mesma placenta — e exige acompanhamento especializado desde cedo.

O ponto de atenção é que a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Em vez de alterações claras no líquido amniótico, como acontece em outras complicações gemelares, a TAPS pode passar despercebida por mais tempo. Por isso, o diagnóstico depende de vigilância rigorosa e de exames Doppler feitos por equipes experientes em medicina fetal.

O que acontece na TAPS

A condição surge quando pequenos vasos microscópicos na placenta permitem uma transferência lenta e desigual de sangue entre os fetos. Com isso, um dos gêmeos pode ficar progressivamente anêmico, enquanto o outro desenvolve policitemia — quadro em que há excesso de glóbulos vermelhos e o sangue fica mais espesso, dificultando a circulação.

Segundo o Prof. Dr. Rodrigo Ruano, a TAPS é um dos maiores desafios diagnósticos das gestações monocoriônicas. Ele destaca que, diferentemente da Síndrome da Transfusão Feto-Fetal clássica, a TAPS geralmente não provoca mudança evidente no volume de líquido amniótico, o que torna a identificação mais difícil.

Como o diagnóstico é feito

O exame mais importante para detectar a condição é a avaliação Doppler da Artéria Cerebral Média (ACM). Esse exame mede a velocidade do fluxo sanguíneo cerebral fetal e ajuda a identificar sinais de anemia ou policitemia antes que o quadro se agrave.

Pesquisas publicadas em periódicos internacionais apontam que a medição da Velocidade Sistólica Máxima da ACM se tornou o método mais eficaz para a identificação precoce da doença. Isso é essencial porque a TAPS pode levar a anemia fetal grave, insuficiência cardíaca, restrição de crescimento, sofrimento fetal, alterações neurológicas, prematuridade e até óbito fetal.

Tratamento e acompanhamento

O tratamento é definido caso a caso, de acordo com a idade gestacional, a gravidade do quadro e as condições clínicas dos fetos. Entre as possibilidades estão o monitoramento intensivo, a antecipação do parto, transfusões sanguíneas intrauterinas e cirurgia fetoscópica a laser para interromper as conexões vasculares responsáveis pela transferência desigual de sangue.

Em gestações de gêmeos que compartilham a mesma placenta, o recado dos especialistas é claro: o acompanhamento com profissionais capacitados em medicina fetal pode fazer diferença decisiva para a saúde dos bebês. Mesmo rara, a TAPS precisa ser lembrada porque o diagnóstico precoce continua sendo a melhor forma de reduzir riscos e preservar o desenvolvimento dos fetos.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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