Endometriose pode levar até 10 anos para diagnosticar
Doença afeta milhões de mulheres, causa dor crônica e pode impactar trabalho, relacionamentos e qualidade de vida.
A endometriose segue sendo uma condição cercada por atraso no diagnóstico e muita normalização da dor. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 190 milhões de mulheres e meninas em idade reprodutiva vivem com a doença no mundo — e, em muitos casos, passam anos convivendo com sintomas antes de receber uma resposta médica.
O problema vai além da saúde ginecológica: pode afetar o trabalho, os relacionamentos e a qualidade de vida. Um estudo publicado no periódico Human Reproduction aponta que o tempo entre o início dos sintomas e o diagnóstico pode variar de sete a dez anos em diferentes países.
Quando a cólica deixa de ser “normal”
A endometriose acontece quando um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, provocando inflamação e dor. Entre os sinais mais comuns estão cólicas intensas, dor pélvica crônica, desconforto durante relações sexuais e alterações urinárias e intestinais.
No material divulgado, a fisioterapeuta pélvica Regiane Migliorini reforça que a dor incapacitante não deve ser tratada como algo esperado. “Muitas mulheres escutam desde a adolescência que cólica intensa é algo que faz parte da vida. O problema é que, quando a dor passa a limitar atividades diárias, trabalho, vida social ou relacionamentos, ela precisa ser investigada. Dor incapacitante nunca deve ser normalizada”, afirma.
Impacto na rotina e no trabalho
Além do sofrimento físico, a doença também pode pesar na vida profissional. Uma pesquisa internacional publicada no periódico Fertility and Sterility, com mais de 1.400 mulheres de dez países, concluiu que a endometriose reduz significativamente a produtividade. O estudo identificou perda média de cerca de 11 horas de trabalho por semana, somando faltas, queda de desempenho e limitações causadas pela dor.
O impacto emocional também aparece nos dados: a condição está associada a maiores índices de ansiedade, depressão, fadiga crônica e dificuldades nos relacionamentos afetivos.
Fisioterapia pélvica entra como aliada
Embora não trate a causa da endometriose, a fisioterapia pélvica tem espaço crescente no cuidado multidisciplinar. Segundo o material, estudos indicam que a dor crônica pode gerar tensão muscular no assoalho pélvico, piorando sintomas e afetando funções do corpo.
“A dor persistente faz com que o corpo desenvolva mecanismos de proteção. Muitas pacientes apresentam tensão muscular importante na região pélvica, o que acaba alimentando ainda mais o ciclo da dor. A fisioterapia atua justamente na recuperação da funcionalidade, mobilidade e qualidade de vida”, explica Regiane.
Para especialistas, ampliar a informação é um passo essencial para reduzir o atraso no diagnóstico. Afinal, quando a dor começa a limitar a vida, ela merece investigação — não silêncio.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



