Aos 80 anos, paranaense faz transplante renal

Francisco Simeão recebeu um rim da irmã em Curitiba e se tornou o paciente mais idoso do Paraná a passar pelo procedimento.

No dia em que completou 80 anos, o empresário Francisco Simeão se tornou o paciente mais idoso do Paraná a receber um transplante renal. O procedimento foi realizado no Hospital São Marcelino Champagnat, em Curitiba, com um rim doado pela irmã, de 73 anos.

O caso chama atenção não só pela data simbólica, mas também por marcar uma mudança importante na forma como a medicina avalia esse tipo de cirurgia: hoje, a decisão leva mais em conta a condição clínica do paciente do que a idade em si.

Doença renal, diálise e uma nova chance

Antes do transplante, Francisco passou sete meses em diálise e tinha apenas 9% da função renal. Para ele, o procedimento representa a chance de seguir com a rotina e os projetos que ainda quer tocar.

“Aos 80 anos, eu ainda tenho muita energia e não passa pela minha cabeça parar de trabalhar. Passar pela diálise foi um desafio, mas receber esse presente me deu uma nova chance. A idade é só um número na identidade quando temos vontade de viver e continuar produzindo”, disse o paciente.

Segundo o médico nefrologista Rafael Piné, responsável pela cirurgia, a avaliação atual é individualizada. Ele afirma que a “fragilidade biológica” pesa mais do que a certidão de nascimento. “No passado, a combinação entre diretrizes rigorosas e a escassez de órgãos impunha restrições etárias à realização de transplantes. O procedimento era pouco frequente em pacientes com mais de 70 anos devido a avaliações baseadas primariamente na expectativa de vida”, explica.

Idade deixou de ser barreira única

O médico também afirma que a idade cronológica, isoladamente, não é mais um critério de exclusão. Hoje, entram na análise as condições biológicas, funcionais e clínicas do paciente.

“Se o paciente tem um coração forte, cognição preservada e suporte familiar, a idade cronológica torna-se um detalhe secundário”, afirma. Segundo ele, novas técnicas cirúrgicas menos invasivas e imunossupressores mais modernos ajudam a reduzir o risco de complicações.

O gesto de doação veio da irmã, a médica pediatra Beth Casimiro, que vive em Cambé. Para ela, o transplante foi uma forma de retribuição e de manter o irmão ativo e presente na família. “Se eu podia, por que não fazer? Foi o presente mais inusitado que eu poderia dar”, disse.

O hospital informou que este foi o primeiro transplante intervivos realizado pela instituição. Em nível nacional, a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) aponta que, no primeiro semestre de 2025, o Brasil realizou 3.236 transplantes renais, sendo 22,5% em pacientes com mais de 60 anos.

O caso de Francisco Simeão reforça um debate cada vez mais atual: envelhecer não significa, necessariamente, perder possibilidades de tratamento, autonomia e qualidade de vida.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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