Amor próprio como sobrevivência: por que voltar para si pode mudar tudo

Um relato sobre vazio emocional, validação externa e o caminho de aprender a se ver, se escolher e se amar

Amor próprio como sobrevivência: por que precisamos aprender a voltar para nós mesmos?

Luciana Palhares relata que não consegue precisar quando percebeu que vivia em função do olhar masculino, com seu valor atrelado à validação externa. Essa percepção veio acompanhada de uma profunda infelicidade, um vazio inexplicável que a fez questionar o sentido das escolhas e experiências que vivia.

Com 23 anos, ela buscou terapia e, com a ajuda da terapeuta, começou a dialogar consigo mesma, a se entender e a se conhecer. Esse processo, que ela chama de “voltar para si”, consiste em mapear os próprios trajetos emocionais e de pensamento, enxergando-se independentemente dos olhares externos.

Na infância, Luciana foi ensinada a ser útil, a priorizar as necessidades dos outros, a se calar e a não expressar seus desejos. Aprendeu que seus sentimentos não importavam e que deveria se virar sozinha, sem pedir ajuda. Isso a levou a assumir papéis como solucionadora, pacificadora e “faz-tudo”, carregando os fardos alheios e atraindo problemas e conflitos. Ela reconhece que, por muito tempo, não existia para si mesma além desses papéis familiares, um padrão que se repetiu em suas relações, conforme relata em seu livro “Para Entender Uma História De Amor”.

Os sintomas desse vazio invisível foram clássicos: apesar de fazer tudo certo e seguir regras, Luciana nunca alcançava os resultados esperados, recebendo apenas frustração e desilusão. O esforço parecia não trazer recompensa, e a linha de chegada se afastava cada vez mais. Essa experiência a levou a buscar sentidos ocultos para suas derrotas.

Ao se dar conta da solidão e da falta de amor que sentia, entendeu que precisava, ao menos, aprender a se amar. Para ela, amar é ver: ver a si mesma sem julgamentos, com todas as sombras e luzes, e continuar olhando e amando o que é, em vez do que seria esperado.

Luciana Palhares é luso-brasileira, nascida no Rio de Janeiro, e atua como escritora, atriz, performer, cantora, taróloga, consteladora familiar, radiestesista e modelo vivo. É autora dos livros “Pequenas Verdades e Outras Histórias” (2022) e “Para Entender Uma História De Amor” (2025), além de oferecer mentorias em escrita terapêutica. Para ela, a escrita é um refúgio, uma forma de sobrevivência e reinvenção.

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Por Luciana Palhares

luso-brasileira, escritora, artista multidisciplinar, atriz, performer, cantora, taróloga, consteladora familiar, radiestesista, modelo vivo; autora dos livros “Pequenas Verdades e Outras Histórias” (2022) e “Para Entender Uma História De Amor” (2025); finalista do 3º Prêmio MicroConto de Ouro (2023); integrante da Coletânea de Cronistas Contemporâneos (2024); oferece mentorias no projeto Escrita Íntima (escrita terapêutica)

Artigo de opinião

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