Revisão internacional redefine diagnóstico da Síndrome dos Ovários Policísticos
Consenso global destaca que ovários policísticos no ultrassom não confirmam a síndrome
Uma importante revisão médica publicada no The Lancet está mudando a forma como especialistas interpretam a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), que afeta cerca de 170 milhões de mulheres no mundo. O consenso internacional destaca que a simples identificação de ovários com aspecto policístico no ultrassom não é suficiente para confirmar o diagnóstico da síndrome.
O debate ganhou força após um processo de consenso que durou 14 anos e envolveu 56 organizações médicas e de pacientes de diversos países, incluindo a Endocrine Society. Como resultado, foi recomendada a adoção do termo Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome (PMOS), substituindo a nomenclatura tradicional, para refletir melhor os aspectos hormonais, metabólicos e reprodutivos da condição.
Compreensão ampliada da condição
Segundo o endocrinologista Adriano Cury, do Alta Diagnósticos, a principal mudança está na percepção de que a SOP vai muito além dos ovários. “O debate internacional não significa que a condição deixou de existir, mas que especialistas passaram a questionar se o nome e os critérios utilizados até hoje representam corretamente a complexidade da síndrome. Muitas pacientes associam a síndrome apenas à presença de cistos, mas sabemos que estamos falando de uma condição hormonal e metabólica complexa, que pode impactar fertilidade, metabolismo, saúde cardiovascular e qualidade de vida”, explica.
Ultrassom e diagnóstico: uma relação complexa
O novo entendimento reforça que mulheres podem apresentar ovários com aspecto policístico em algum momento da vida sem terem a síndrome. Por outro lado, pacientes diagnosticadas com SOP podem não apresentar alterações típicas no ultrassom. Por isso, o diagnóstico deve considerar um conjunto de sinais e sintomas, e não apenas a imagem do exame.
Sintomas e riscos associados
Além da irregularidade menstrual e dificuldade para engravidar, a SOP pode estar associada a acne, aumento de pelos, queda de cabelo, resistência à insulina, ganho de peso e maior risco cardiometabólico.
A revisão também deve influenciar a forma como exames e laudos são comunicados nos serviços de saúde, buscando reduzir interpretações alarmistas e promover uma avaliação individualizada.
“O objetivo não é minimizar a condição, mas evitar diagnósticos automáticos e simplificações. A medicina caminha para uma visão mais integrada da saúde da mulher”, conclui Cury.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



