O manual do turista inconveniente
Reclamações, invasões de espaço e excessos explicam o desgaste nas férias
O turista e suas facetas nas férias
Ao saírem da rotina, as pessoas desejam ser mais autênticas durante as férias, liberando-se das amarras do trabalho e das convenções sociais do dia a dia. Essa liberdade faz com que as vontades e a ocupação de espaços se intensifiquem, tanto fisicamente quanto no comportamento social. O turista busca diversão, adrenalina, atenção imediata às suas preferências e acolhimento, visando criar boas memórias afetivas em sua perspectiva pessoal.
O perfil do “turista-mala”
Entre os turistas, destaca-se o “turista-mala”, que se considera enturmado e acredita fazer amizades facilmente, conquistando a atenção alheia com histórias, piadas e até músicas próprias. Ele se aproxima de desconhecidos e participa ativamente como se fosse amigo, tornando-se o “entrosa”. Esse tipo é comum em qualquer viagem, especialmente em excursões com pacotes turísticos, onde a intensidade do comportamento varia.
Tipos comuns de turistas incômodos
Os “reclamadores” crônicos são um grupo frequente, para quem nada está bom o suficiente, exigindo perfeição e rapidez em tudo, sempre do seu jeito. Já os invasores de espaço físico buscam as melhores posições em restaurantes, piscinas, praias e transportes, chegando a deslocar pertences alheios para garantir seu lugar preferido. Esses comportamentos também ocorrem em ambientes familiares, mostrando que o contexto não altera o perfil, apenas a intensidade das atitudes.
Humor e crítica social
Essas situações, embora desconfortáveis, tornam-se engraçadas com o tempo, gerando histórias que refletem o comportamento humano. O livro “Somos Todos Malas” reúne vinte histórias que abordam esses personagens em diferentes fases da vida, usando o humor para provocar autocrítica e empatia. O humor ácido e irônico serve como crítica social, convidando à reflexão sobre individualismo e egoísmo.
Convivência e etiqueta
As histórias revelam invasões de privacidade, mesquinhez e falta de noção, evidenciando a dificuldade de respeitar o espaço do outro, especialmente em viagens. A autora acredita que o bom senso e a percepção de que se está incomodando são essenciais para evitar conflitos. Assim, todos podem ser, em algum momento, protagonistas ou observadores desses comportamentos incômodos.
Reflexão final
Como esses comportamentos ocorrem não só em viagens, mas em diversas situações sociais, a autora conclui que vivemos na “sociedade-mala” do século XXI, marcada por desgastes nas relações. O convite é para a auto-observação e o estabelecimento de limites para uma convivência mais harmoniosa. Afinal, é impossível viajar sem ser um pouco “mala”, como sugere o título do livro “Somos Todos Malas – Histórias recheadas de humor com os chatos que você conhece bem”.
Por Daniela Yuri Uchino
paulistana, graduada, mestra e doutora em Letras pela USP
Artigo de opinião



