Diabetes no Brasil: custo da falta de prevenção
Estudo com dados de 2015 a 2025 mostra 1,6 milhão de internações, 78 mil mortes e impacto bilionário no SUS.
O diabetes segue como uma das doenças crônicas que mais pressionam o sistema de saúde brasileiro — e o que mais chama atenção neste novo levantamento é que boa parte desse impacto poderia ser evitada com prevenção e cuidado contínuo.
Um estudo inédito do Grupo IAG Saúde, com base em dados do SUS e da Plataforma DRG Brasil, analisou a série de 2015 a 2025 e encontrou um retrato duro: 1,6 milhão de internações relacionadas ao diabetes, 78 mil óbitos e um custo assistencial estimado em R$ 11,4 bilhões entre 2021 e 2025.
Internações longas, casos complexos
O levantamento cruzou microdados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS com registros da Plataforma DRG Brasil. No recorte de 2021 a 2025, foram avaliados 262.683 pacientes, em sua maioria homens, com idade média de 63 anos.
As internações ligadas ao diabetes não se limitam à glicose descompensada. O estudo mostra complicações cardiovasculares, vasculares periféricas, renais e neurológicas como parte importante desse cenário. Entre os diagnósticos mais frequentes estão cirurgia cardiovascular percutânea com stent farmacológico, diabetes registrado no prontuário, infarto cerebral ou hemorragia intracraniana, infarto agudo do miocárdio e doenças vasculares periféricas.
Na prática, isso significa internações mais longas e mais caras. A permanência média foi de 8,7 dias, com custo médio de R$ 14.869 por internação. O índice de complexidade clínica também foi elevado: casemix de 1,81, o que indica demanda assistencial acima da média hospitalar.
Amputações mostram o lado mais grave
Entre os dados mais alarmantes estão as amputações relacionadas ao diabetes. Elas representaram 0,7% das internações avaliadas na DRG Brasil, mas concentraram um peso desproporcional: permanência média de 20,7 dias, casemix de 3,44, custo médio de R$ 29.261 e mortalidade hospitalar de 10,8%.
Na base do DATASUS, entre 2015 e 2025, foram 10.387 internações com amputação em pessoas com diabetes, resultando em 892 mortes. No estado de São Paulo, entre 2021 e 2025, foram 7.921 internações com amputação e 567 óbitos.
O que esses números indicam
O estudo reforça que o diabetes não costuma causar um desfecho grave de uma vez. Ele avança aos poucos, afetando vasos sanguíneos, nervos, rins e coração, muitas vezes depois de anos sem diagnóstico, acompanhamento irregular ou dificuldade de acesso ao tratamento.
Também há um ponto financeiro importante: entre 2015 e 2025, o SUS pagou R$ 1,72 bilhão em remuneração hospitalar relacionada ao diabetes, mas esse valor não cobre necessariamente o custo real da assistência. Nas internações com amputação, a diferença entre o que foi remunerado e o custo estimado ajuda a dimensionar o subfinanciamento do sistema.
No mês do Dia Nacional do Diabetes, em 26 de junho, os dados funcionam como alerta: prevenir ainda é a forma mais eficaz de evitar internações graves, amputações e mortes associadas à doença.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



