Dia do Orgulho Autista expõe preconceitos invisíveis
Heitor Werneck, diagnosticado aos 58 anos, fala sobre psicofobia, capacitismo e o estereótipo de que autismo tem aparência
No Dia do Orgulho Autista, celebrado em 18 de junho, uma mensagem ganha destaque: autismo não tem aparência. A data foi criada para valorizar a neurodiversidade, incentivar a aceitação e combater estigmas — e chega em um momento em que o debate sobre inclusão precisa ir além do discurso.
O alerta vem de Heitor Werneck, autista nível 2, diagnosticado apenas aos 58 anos. Para ele, frases como “você não parece autista” continuam sendo uma das formas mais comuns de preconceito contra pessoas no espectro.
Por que esse comentário é tão problemático
Segundo Werneck, esse tipo de fala parte da ideia equivocada de que existe um “modelo” de autismo visível. Na prática, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é diverso e pode se manifestar de muitas formas, com diferenças na comunicação social, no processamento sensorial e nos comportamentos.
“O autismo não tem rosto, não tem aparência específica. É um espectro neurológico. Quando alguém diz ‘você não parece autista’, está invalidando experiências reais e reforçando um preconceito que invisibiliza milhares de pessoas”, afirma.
O ativista também critica o aumento de comentários que colocam em dúvida diagnósticos, como se pessoas autistas precisassem provar o tempo todo sua condição. Para ele, isso se conecta à psicofobia — preconceito contra pessoas com transtornos mentais ou condições neurológicas.
Quando o capacitismo aparece no dia a dia
Além da desconfiança sobre diagnósticos, Werneck chama atenção para outro problema: os estereótipos sobre como uma pessoa autista “deveria” ser. Frases como “você é inteligente demais para ser autista” ou comentários que tratam o autismo como sinônimo de estranheza ajudam a reforçar o capacitismo.
Ele destaca que o espectro é amplo e que cada pessoa vive a condição de maneira diferente. No seu caso, além do autismo, ele tem Síndrome de Savant, que potencializa habilidades intelectuais importantes para o trabalho como produtor cultural, mas também convive com dificuldades sensoriais intensas, crises e desafios em ambientes com muito estímulo.
Diagnosticado na vida adulta, Werneck afirma que muitas pessoas passam anos sem entender suas próprias experiências justamente porque o autismo ainda é cercado por estereótipos.
Informação e escuta como caminho
O tema ganha ainda mais relevância porque junho também passou a ser oficialmente o Mês de Conscientização sobre o Autismo no Brasil, instituído pela Lei 15.365/2026. Para Werneck, ampliar o acesso à informação é o passo mais importante para mudar esse cenário.
“Inclusão começa quando as pessoas deixam de questionar experiências que não vivem”, conclui.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



