Alzheimer no Brasil: atlas expõe atraso no diagnóstico

Novo panorama aponta subdiagnóstico, demora para exames e sobrecarga para famílias, apesar da política nacional criada em 2024.

Um novo panorama sobre a doença de Alzheimer no Brasil acende um alerta importante: segundo o Atlas da doença de Alzheimer, da Associação Internacional de Alzheimer, até 80% dos casos de demência no país podem estar sem diagnóstico. O dado ajuda a explicar por que tantas famílias só chegam a um nome para o problema depois de uma longa espera — quando sinais de memória, linguagem ou comportamento já avançaram.

O levantamento, que contou com apoio da Lilly, mostra que o desafio brasileiro não está apenas na prevalência da doença, mas principalmente no caminho até o diagnóstico e o cuidado. O país registra 829 casos por 100 mil habitantes, índice superior ao do México e próximo ao da Argentina, mas o gargalo mais grave está na porta de entrada do sistema de saúde.

Quando o sinal de alerta é tratado como “envelhecimento normal”

De acordo com o Atlas, em 40% das consultas iniciais sintomas como perda de memória, dificuldade para encontrar palavras e mudanças sutis de humor ou comportamento são minimizados como parte do envelhecimento. Isso atrasa a investigação e faz com que menos de 30% dos casos suspeitos sejam encaminhados a especialistas.

Na prática, esse atraso pode significar anos até o diagnóstico correto, com impacto direto na rotina da pessoa e de quem cuida dela. O relatório também aponta que pacientes podem esperar meses ou até anos por exames de imagem, como tomografia e ressonância magnética.

Exames e cuidado ainda chegam tarde

O documento destaca que tecnologias diagnósticas mais avançadas, como PET-amiloide e biomarcadores no líquor (LCR), ainda têm acesso restrito. Já os biomarcadores plasmáticos aparecem como alternativa promissora, mas seguem em avaliação para aprovação.

Outro dado que chama atenção é o peso sobre as famílias: elas arcam com 73% dos custos totais da demência, enquanto cuidadores informais podem dedicar até 10 horas por dia ao cuidado. É uma sobrecarga silenciosa, que costuma se acumular dentro de casa e afetar toda a organização familiar.

O que muda com a política nacional

O Atlas chega em um momento importante, após a criação da Política Nacional de Cuidado Integral às Pessoas com doença de Alzheimer e Outras Demências, instituída em junho de 2024. Para o relatório, o próximo passo é transformar a política em ações concretas, capazes de integrar diagnóstico, acompanhamento e suporte às famílias.

O material também lembra que a saúde cerebral depende de vários fatores modificáveis, como controle da hipertensão, atividade física, estímulo social e educação. Nesse cenário, detectar cedo deixa de ser apenas um diagnóstico: vira uma ferramenta para planejar o futuro com mais clareza, dignidade e apoio.

Mais do que números, o alerta reforça uma urgência simples e humana: reconhecer os sinais cedo pode mudar a jornada de quem vive com Alzheimer e de quem está ao lado, cuidando todos os dias.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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