Junho Verde chama atenção para a escoliose
Condição pode passar despercebida na adolescência, mas diagnóstico precoce e tecnologia ajudam no acompanhamento e no tratamento.
Durante muito tempo, a escoliose foi vista apenas como um problema de postura. Hoje, o alerta é outro: a condição pode passar despercebida na infância e na adolescência, justamente quando o corpo está em fase de crescimento acelerado. No mês conhecido como Junho Verde, a conscientização ganha força e coloca em destaque a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento especializado.
Quando os sinais parecem pequenos demais
A escoliose idiopática do adolescente é a forma mais comum da doença e costuma surgir entre os 10 e 18 anos. Segundo a Sociedade Brasileira de Coluna, cerca de 6 milhões de brasileiros convivem com algum grau da condição. Já estudos baseados nos critérios da Scoliosis Research Society indicam que entre 2% e 4% das crianças e adolescentes apresentam escoliose idiopática.
O desafio é que os sinais podem ser sutis. Ombros em alturas diferentes, assimetria no corpo, roupas que parecem “tortas” e dores recorrentes nas costas estão entre os indícios que costumam ser ignorados por famílias e até pelo próprio adolescente.
Tecnologia muda o olhar sobre a doença
Para o fisioterapeuta Pedro Gurgel, uma das maiores dificuldades ainda é identificar a escoliose cedo. “Muitas famílias só descobrem quando a curvatura já avançou. No início, os sinais podem parecer apenas uma questão de postura ou fase de crescimento. O problema é que a escoliose tende a evoluir justamente durante o desenvolvimento do adolescente”, explica.
Nos últimos anos, hospitais, clínicas e centros especializados passaram a investir em recursos que tornam o acompanhamento mais preciso. Entre eles estão inteligência artificial, impressão 3D, escaneamento corporal e dispositivos personalizados. A combinação dessas ferramentas ajuda a monitorar a evolução da condição e a definir condutas menos invasivas, sempre com avaliação médica.
Mais qualidade de vida no centro da conversa
O avanço tecnológico acompanha também uma mudança no comportamento das famílias, que hoje buscam diagnósticos mais rápidos, previsibilidade na recuperação e menor impacto na rotina escolar, social e emocional de crianças e adolescentes.
“O comportamento das famílias mudou muito. Hoje existe pesquisa, comparação, interesse por novas tecnologias e preocupação com qualidade de vida no longo prazo. Isso também faz o mercado da saúde se movimentar mais rápido”, afirma Pedro.
Casos conhecidos mundialmente, como o da atriz Elizabeth Taylor e do velocista Usain Bolt, também ajudaram a ampliar a visibilidade da escoliose. Para especialistas, exemplos assim reforçam que a condição exige atenção contínua, acompanhamento especializado e diagnóstico no momento certo.
Além de ser uma questão clínica, a escoliose também movimenta um mercado em expansão. O setor global de dispositivos para coluna movimenta cerca de US$ 15 bilhões e deve ultrapassar os US$ 20 bilhões na próxima década, impulsionado pela demanda por soluções minimamente invasivas e personalizadas.
“Quando o diagnóstico acontece cedo, o paciente ganha tempo, alternativas de tratamento e qualidade de vida. Em muitos casos, isso evita procedimentos mais complexos no futuro e reduz impactos emocionais justamente em uma fase muito sensível da vida”, finaliza Pedro.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



