CFM regulamenta HIFU para câncer de próstata localizado

Ultrassom focalizado de alta intensidade é reconhecido como opção terapêutica não experimental

O Conselho Federal de Medicina (CFM) oficializou a indicação e execução do ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) como alternativa terapêutica para o câncer de próstata localizado, por meio de norma publicada em 27 de maio de 2026. Essa decisão representa um avanço regulatório no Brasil, alinhando o país às práticas internacionais e reconhecendo o método como procedimento não experimental.

O HIFU utiliza ondas de ultrassom de alta intensidade para gerar necrose térmica no tecido tumoral, elevando a temperatura local e destruindo as células cancerígenas com precisão. O tratamento pode ser aplicado de forma focal, atingindo áreas específicas da próstata, ou em toda a glândula, conforme a extensão e localização do tumor. A técnica é guiada por imagens em tempo real, permitindo planejamento tridimensional e direcionamento exato da energia para a região afetada.

Benefícios funcionais e oncológicos

Uma das principais vantagens do HIFU é a preservação das estruturas relacionadas à continência urinária e à função sexual, o que reduz significativamente os efeitos colaterais em comparação a tratamentos mais invasivos, como cirurgia ou radioterapia. Essa característica torna o método uma opção atraente para pacientes selecionados, que buscam equilíbrio entre controle da doença e qualidade de vida.

Base científica e estudos brasileiros

A regulamentação do CFM apoia-se no amadurecimento da literatura científica internacional e em pesquisas conduzidas no Brasil, com participação do urologista e cirurgião oncológico Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos da BP.

Entre os estudos destacados, um publicado em março de 2026 na revista Prostate International avaliou 208 pacientes submetidos ao HIFU em um centro brasileiro. O trabalho identificou o escore CAPRA como preditor independente de recorrência bioquímica e falha terapêutica, com sobrevida livre de recorrência em cinco anos de 81,5% para pacientes de baixo risco, 50,7% para risco intermediário e 16,4% para alto risco.

Outro estudo, divulgado em 2025 no Journal of Endourology, analisou 227 pacientes tratados com HIFU de glândula inteira entre 2011 e 2019. Com seguimento mediano de 47 meses, as taxas de sobrevida livre de falha foram de 97% em um ano, 82% em três anos e 75% em cinco anos, enquanto a sobrevida livre de metástases em cinco anos alcançou 93%.

Indicação criteriosa e decisão compartilhada

Apesar do reconhecimento como procedimento não experimental, o HIFU não substitui as abordagens tradicionais e deve ser indicado de forma individualizada, considerando características do tumor, perfil clínico e expectativas do paciente. A decisão terapêutica deve ser compartilhada entre médico e paciente, garantindo uso responsável e criterioso da tecnologia.

Com a incorporação do HIFU, o Brasil acompanha uma tendência global de valorização de terapias minimamente invasivas, que priorizam não apenas o controle oncológico, mas também a qualidade de vida dos pacientes após o tratamento.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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