Câncer e fertilidade: por que o assunto ainda chega tarde

Especialistas defendem conversa individualizada e precoce sobre oncofertilidade, antes do início da terapia oncológica, quando houver tempo clínico.

Receber um diagnóstico de câncer costuma colocar a vida em modo de urgência. Entre consultas, exames e decisões sobre o tratamento, um tema importante para muitas pessoas acaba ficando em segundo plano: a possibilidade de ter filhos depois da terapia oncológica. Ainda pouco conhecida, a preservação da fertilidade — também chamada de oncofertilidade — deve ser discutida cedo, de forma individualizada, sempre que houver indicação e tempo clínico.

O que é preservação da fertilidade

O assunto envolve avaliar se o tratamento contra o câncer pode afetar a capacidade reprodutiva e quais alternativas existem antes do início da terapia. Dependendo do caso, podem ser considerados o congelamento de óvulos, embriões ou sêmen, além de outras estratégias definidas conforme o tipo de tumor, a idade, o sexo, o plano terapêutico, a condição clínica e o desejo reprodutivo do paciente.

Para o oncologista Ricardo Caponero, do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o principal desafio é garantir informação qualificada em um momento em que a pessoa muitas vezes nem sabe o que perguntar. Ele afirma: “O diagnóstico de câncer muda completamente a prioridade da vida da pessoa. É natural que o foco imediato seja tratar a doença, mas isso não significa que outras dimensões do cuidado devam desaparecer. Quando existe risco de impacto na fertilidade, o paciente precisa ser orientado de forma clara e acolhedora, para entender se há alguma possibilidade de preservação e se ela faz sentido no seu caso”.

Decisão precisa ser individualizada

Os especialistas reforçam que a preservação da fertilidade não é indicada para todos os casos e não deve atrasar tratamentos urgentes. Segundo Maurício Barbour Chehin, médico especialista em reprodução assistida e diretor científico e coordenador do serviço de Oncofertilidade do Grupo Huntington, a avaliação precisa acontecer com integração entre oncologia e reprodução assistida. Ele explica: “Quando a equipe oncológica identifica precocemente o risco de comprometimento da fertilidade, conseguimos avaliar as alternativas disponíveis com mais agilidade e segurança. A decisão precisa ser individualizada, porque depende do tipo de câncer, do tratamento indicado, da idade, do tempo disponível e das condições clínicas do paciente. O mais importante é que essa avaliação aconteça de maneira integrada, sem perder de vista que o tratamento oncológico é sempre a prioridade”.

Informação também é cuidado

Um dos pontos mais delicados é a falta de informação. Muitos pacientes só descobrem que o tratamento poderia afetar a fertilidade depois de iniciada ou concluída a terapia oncológica. Outro equívoco comum é associar o tema apenas às mulheres, quando homens em idade reprodutiva também podem ser impactados, especialmente em alguns tumores e tratamentos.

Além da equipe médica, redes de apoio e organizações de pacientes têm papel importante para traduzir dúvidas, estimular perguntas e ampliar o acesso a orientações confiáveis. No fim, falar sobre oncofertilidade não é prometer um futuro, mas reconhecer que o cuidado com o câncer também passa pelos projetos de vida que podem vir depois do tratamento.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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