Odontopediatra ou dentista de adulto? Saiba quando trocar
A transição não depende só da idade: especialistas explicam quais sinais indicam a hora certa de sair do odontopediatra.
A passagem do odontopediatra para o dentista clínico geral costuma gerar dúvida entre mães, pais e responsáveis. Mas, segundo especialistas, essa troca não depende apenas da idade: o ideal é observar como está a dentição permanente, se há tratamentos em andamento e se o adolescente ainda precisa de acompanhamento mais especializado.
O tema ganha relevância porque, entre os 15 e os 20 anos, há uma queda importante na frequência de consultas odontológicas em parte da população, segundo estudo publicado em 2025 no Journal of Dental Research, com 11.189 participantes. Isso reforça a importância de planejar a transição sem interromper o cuidado.
Nem sempre a idade é o principal critério
Para Gabriel Politano, odontopediatra e professor, a troca completa dos dentes de leite pelos permanentes, geralmente entre os 12 e os 14 anos, pode marcar o início dessa mudança. Ainda assim, a decisão precisa levar em conta outros fatores, como atraso na troca dos dentes, alterações de mordida, necessidade ortodôntica, histórico de cárie e procedimentos já iniciados.
Em alguns casos, a permanência com o odontopediatra pode durar mais tempo. Isso acontece, por exemplo, com pacientes no espectro autista ou com outras condições cognitivas, especialmente quando existe vínculo com o profissional, adaptação ao ambiente e previsibilidade no atendimento.
Segundo Politano, a transição deve ser feita de forma alinhada entre os profissionais, para garantir continuidade no acompanhamento. Em situações como extração de sisos ou procedimentos estéticos mais complexos, o encaminhamento ao dentista clínico geral pode ser a opção mais adequada.
O cuidado começa antes do nascimento
A saúde bucal da criança também é influenciada pela atenção recebida ainda na gestação. No pré-natal odontológico, a gestante recebe orientações que podem impactar os primeiros meses de vida do bebê e até a saúde bucal na vida adulta.
Uma revisão brasileira publicada na revista Ciência & Saúde Coletiva apontou que gestantes com periodontite tiveram mais que o dobro de chance de gerar bebês com baixo peso ao nascer. O dado reforça a importância do acompanhamento odontológico durante a gravidez.
Entre os mitos mais comuns está a ideia de que grávidas não podem fazer tratamento dentário. O especialista explica que, quando há indicação clínica, o atendimento pode e deve ser realizado. Anestesia local com vasoconstritor e radiografias também podem ser usadas com critério, quando necessárias para o diagnóstico.
Depois do nascimento, as consultas podem acontecer nos primeiros meses de vida e, de preferência, até o primeiro ano. Nesse período, os odontopediatras orientam sobre aleitamento materno, higiene bucal, uso de chupeta e mamadeira, além de sinais que pedem avaliação antecipada, como dor, dificuldade para mastigar, trauma, manchas nos dentes e atraso na troca dentária.
Manter esse acompanhamento ajuda a identificar o momento certo de migrar para o dentista de adulto, sem perder o histórico do paciente e sem deixar o cuidado bucal para depois.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



