NR-1 e saúde mental: empresas ainda não estão prontas

Nova exigência inclui riscos psicossociais na gestão ocupacional, mas levantamento indica que a maioria dos RHs ainda não se sente preparada.

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) trouxe uma mudança significativa para as empresas brasileiras ao incluir os riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Agora, as organizações precisam identificar, monitorar e mitigar fatores que afetam a saúde mental dos trabalhadores, como estresse, burnout, jornadas excessivas, conflitos internos e assédio no ambiente corporativo.

Apesar da relevância do tema, a adaptação das empresas ainda está longe de ser uma realidade consolidada. Um levantamento divulgado pelo Educa Mais Brasil revelou que 82% dos profissionais de Recursos Humanos não se sentem preparados para atender às novas exigências da NR-1 relacionadas à saúde mental e aos riscos psicossociais.

Contexto preocupante dos afastamentos

O cenário regulatório se soma a dados alarmantes sobre o adoecimento mental no mercado de trabalho brasileiro. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT), com base em registros do INSS, em 2025, episódios depressivos foram responsáveis por mais de 122 mil afastamentos, enquanto o transtorno depressivo recorrente gerou mais de 60 mil licenças médicas.

Além disso, o Ministério da Previdência Social informou que, no mesmo ano, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, um aumento de 15,6% em relação a 2024, quando foram registrados 472.328 afastamentos. Ansiedade e episódios depressivos figuram entre as principais causas desses afastamentos.

Exigências da nova NR-1 para as empresas

De acordo com Leandro Santos, CSO da Indexmed, a NR-1 eleva a saúde mental ao mesmo patamar de outros riscos corporativos críticos, exigindo envolvimento direto de CEOs e diretores, além do RH. As empresas devem:

  • Incluir riscos psicossociais no inventário de riscos ocupacionais;
  • Monitorar fatores como jornadas excessivas, conflitos internos, falhas de comunicação e sobrecarga de trabalho;
  • Implementar medidas preventivas e acompanhamento contínuo;
  • Documentar ações e indicadores relacionados à saúde mental;
  • Comprovar gestão ativa sobre riscos emocionais no ambiente corporativo.

Santos destaca que as organizações precisarão cruzar indicadores como absenteísmo, turnover, afastamentos médicos, produtividade e uso do plano de saúde para identificar padrões de adoecimento antes que se agravem, promovendo uma gestão preventiva e preditiva.

Ele também alerta para o aumento da pressão regulatória e fiscalização, que pode resultar em autuações, termos de ajustamento de conduta (TACs), ações trabalhistas e até interdições parciais em ambientes considerados críticos e sem medidas preventivas adequadas.

Saúde mental como vantagem competitiva

Para as empresas, a gestão da saúde mental deixou de ser apenas uma pauta de bem-estar e passou a ser um componente estratégico para a sustentabilidade do negócio. Organizações que conseguirem equilibrar performance e saúde organizacional estarão mais preparadas para reter talentos e manter a produtividade.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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