Morre Angelita Habr-Gama, pioneira da cirurgia oncológica

Primeira professora titular de cirurgia na USP, revolucionou o tratamento do câncer de reto e influenciou gerações no Brasil e no mundo

A professora Angelita Habr-Gama, referência mundial em coloproctologia, faleceu aos 92 anos no último sábado (30), em São Paulo. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) manifestou profundo pesar pela perda da cirurgiã, destacando sua trajetória que revolucionou o tratamento do câncer de reto e influenciou gerações de médicos e pesquisadores no Brasil e no exterior.

Angelita foi pioneira em uma época em que a presença feminina nos centros cirúrgicos era rara. Tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de professora titular em uma especialidade cirúrgica na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), abrindo caminho para inúmeras médicas que vieram depois dela. Sua carreira foi marcada por inovação científica, excelência acadêmica e dedicação à formação de especialistas.

Carreira e reconhecimentos

Nascida em 1933 na Ilha de Marajó, Pará, filha de imigrantes libaneses, Angelita mudou-se ainda criança para São Paulo e ingressou na Faculdade de Medicina da USP em 1952. Ao longo de mais de seis décadas, acumulou reconhecimentos inéditos para uma médica brasileira, como ser a primeira mulher a integrar a equipe que acompanhou o presidente eleito Tancredo Neves durante sua internação em 1985 e tornar-se membro honorário da American Surgical Association, uma das mais tradicionais entidades cirúrgicas do mundo.

Recebeu prêmios internacionais que a consolidaram entre as principais lideranças da cirurgia colorretal global. Em 2022, passou a integrar a lista dos 2% de cientistas mais influentes do planeta, elaborada pela Universidade Stanford.

Legado científico e impacto

Angelita é especialmente reconhecida pelo desenvolvimento da estratégia Watch and Wait para pacientes selecionados com câncer de reto. Essa abordagem demonstrou que, em determinados casos, pacientes que apresentam resposta completa à quimiorradioterapia podem ser acompanhados rigorosamente, sem necessidade imediata de cirurgia.

Essa estratégia permitiu evitar procedimentos mutiladores, preservar órgãos, reduzir sequelas e melhorar a qualidade de vida de milhares de pacientes ao redor do mundo. O impacto foi tão significativo que a abordagem passou a integrar diretrizes internacionais, representando uma das mudanças mais importantes no tratamento do câncer colorretal nas últimas décadas.

Além de sua produção científica, com mais de 200 artigos publicados e dezenas de prêmios nacionais e internacionais, Angelita teve papel fundamental na formação de especialistas, fundando e estruturando serviços de coloproctologia, orientando pesquisadores e liderando sociedades médicas no Brasil e no exterior.

Para a SBCO, a contribuição da cirurgiã permanece viva na ciência, na assistência aos pacientes e na história da cirurgia oncológica mundial, sendo um símbolo de pioneirismo, rigor científico e inspiração para mulheres na medicina.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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