Barco Infância Protegida leva atendimento a vítimas no Marajó

Projeto do CNMP e Childhood Brasil cria unidade fluvial para proteger crianças vítimas de violência sexual em comunidades ribeirinhas

Em regiões remotas da Amazônia, como o arquipélago do Marajó, no Pará, o acesso a serviços de proteção para crianças e adolescentes vítimas de violência sexual é um desafio devido à distância e à dificuldade de deslocamento. Para enfrentar essa realidade, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e a Childhood Brasil apresentaram o projeto Barco Infância Protegida, que levará atendimento especializado diretamente às comunidades ribeirinhas.

Unidade fluvial de atendimento humanizado

O Barco Infância Protegida funcionará como uma unidade fluvial que reunirá, em um único espaço, serviços essenciais para a proteção das vítimas, incluindo escuta especializada, perícia criminal, atendimento psicossocial, suporte técnico às investigações e atendimento de saúde. A iniciativa visa reduzir a revitimização e ampliar o acesso à rede de proteção em áreas onde o deslocamento depende exclusivamente dos rios.

Lançamento e parcerias

O projeto foi oficialmente apresentado em 26 de maio, em Brasília, na sede do CNMP, com transmissão ao vivo pelo canal do Conselho no YouTube. A embarcação está prevista para entrar em operação em 2027, após a formalização das parcerias institucionais que viabilizarão sua aquisição.

O Barco Infância Protegida é resultado de um acordo de cooperação entre o CNMP, a Childhood Brasil, o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) e o Governo do Pará, com apoio do Sistema Transporte — formado por SEST, Senat, CNT e ITL. Novos parceiros, como o Grupo Sada e a Tiffany & Co, em conjunto com a plataforma filantrópica Oportunidade do Bem, também se juntaram ao projeto.

Ferramenta para subsidiar políticas públicas

Durante o evento de lançamento, foi apresentado o painel “Diagnóstico Marajó”, uma ferramenta de Business Intelligence desenvolvida para consolidar dados sobre violência sexual infantil e vulnerabilidades sociais na região. O objetivo é subsidiar políticas públicas, orientar ações integradas e acompanhar indicadores relacionados à proteção da infância no arquipélago.

A programação incluiu ainda painéis sobre os desafios da atuação institucional no Marajó, prestação de serviços públicos em áreas remotas da Amazônia, escuta protegida, depoimento especial e atuação integrada do sistema de justiça na defesa de crianças e adolescentes vítimas de violência.

Contexto e importância

O Barco Infância Protegida integra o Projeto Primeiros Passos, iniciativa prioritária da gestão do presidente do CNMP, Paulo Gonet, voltada à promoção e proteção dos direitos da infância. Lançado em abril de 2024, o programa já conta com adesão formal de 21 unidades e ramos do Ministério Público brasileiro, além do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025, a cada hora, oito crianças e adolescentes são vítimas de violência sexual no Brasil. Em áreas isoladas como o Marajó, a iniciativa representa um avanço significativo ao unir acolhimento, investigação e acesso à rede de proteção em uma estrutura móvel e adaptada à realidade local.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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