Falta de mecânicos impulsiona oportunidades na aviação brasileira
Demanda por técnicos de manutenção cresce no Brasil e no mundo, com destaque para mulheres, jovens e profissionais 50+
A aviação brasileira enfrenta um desafio crescente: a falta de mecânicos de manutenção aeronáutica, profissionais essenciais para garantir a segurança e a operação das aeronaves. Essa escassez já começa a limitar a expansão do setor aéreo no país, em meio a uma demanda global crescente por técnicos especializados.
De acordo com projeções da Boeing, a aviação comercial mundial precisará de cerca de 2,37 milhões de novos profissionais até 2044, sendo aproximadamente 710 mil técnicos de manutenção aeronáutica. Esses profissionais são responsáveis por inspeções técnicas, segurança operacional e manutenção da disponibilidade das aeronaves.
Demanda crescente e oportunidades reais
No Brasil, o cenário reflete essa tendência global. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) indicam que o país conta com cerca de 15 mil mecânicos de manutenção aeronáutica registrados, número insuficiente para suprir a demanda atual. Escolas e empresas do setor relatam aumento na procura por formação e dificuldades para contratar profissionais qualificados.
Esse contexto tem atraído não apenas jovens, mas também profissionais em transição de carreira e pessoas com mais de 50 anos. Segundo a Lito Academy, mais de 15% dos alunos com mais de 50 anos buscaram formação em manutenção aeronáutica desde 2020, evidenciando a abertura do setor para perfis diversos.
Desafios e avanços na diversidade
Apesar do crescimento, a participação feminina na manutenção aeronáutica ainda é baixa. Atualmente, apenas 835 mulheres atuam como mecânicas no Brasil. O setor reconhece a importância de ampliar a diversidade para enfrentar a escassez de profissionais qualificados.
Conforme destaca Lito Sousa, fundador da Lito Academy, “a aviação técnica ainda é vista como um ambiente predominantemente masculino, mas isso vem mudando. As empresas têm buscado profissionais cada vez mais diversos e qualificados, adotando inclusive vagas positivas para reduzir essa diferença”.
Formação e inserção no mercado
Para atuar como mecânico de manutenção aeronáutica, é necessário concluir um curso homologado pela Anac, com duração média de dois anos. A formação inclui especializações em Célula, Grupo Motopropulsor (GMP) e Aviônicos, que abrangem a estrutura da aeronave, motores e sistemas eletrônicos.
Além do conteúdo técnico, a proximidade com o mercado é um diferencial. Parcerias entre escolas, companhias aéreas e oficinas homologadas possibilitam que estudantes iniciem estágios remunerados nos primeiros meses do curso, acelerando a experiência prática exigida para a obtenção da licença definitiva.
Os salários variam conforme especialização, domínio do inglês e experiência, indo de cerca de R$ 3 mil em posições iniciais até mais de R$ 20 mil em cargos sêniores em companhias aéreas internacionais que operam no Brasil. O setor também registra alta demanda por profissionais brasileiros no exterior, especialmente em países como Canadá, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.
Em um setor em constante evolução, a manutenção aeronáutica se destaca como uma carreira sólida e essencial. Embora a tecnologia avance e os aviões possam futuramente operar com menos pilotos, a necessidade de mecânicos para garantir a segurança e o funcionamento das aeronaves permanece inalterada.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



