Coçar os olhos pode piorar o ceratocone
Junho Violeta chama atenção para doença ocular silenciosa que afeta crianças e adolescentes e pode avançar com o hábito de esfregar os olhos.
Coçar os olhos pode parecer um gesto inocente, mas, em alguns casos, ele acelera um problema sério: o ceratocone. A doença ocular, que pode afetar crianças, adolescentes e jovens adultos, costuma evoluir de forma silenciosa e comprometer a visão aos poucos.
No mês do Junho Violeta, a atenção se volta justamente para esse alerta. Segundo a oftalmologista Larissa Bowens, do Hospital Oftalmos, a pressão repetida sobre os olhos enfraquece a estrutura da córnea e favorece sua deformação. Ela compara esse processo a dobrar uma folha de papel sempre no mesmo ponto: com o tempo, o material cede.
Quando a coceira vira risco para a visão
O ceratocone acontece quando a córnea — a camada transparente na frente do olho, responsável por focar a luz — perde sua forma natural, afinando e projetando-se para frente em formato de cone. O problema é que, no início, os sinais podem ser confundidos com uma simples mudança no grau dos óculos.
Entre os sintomas de alerta estão visão embaçada que não melhora bem com óculos, sensibilidade à luz, dificuldade para enxergar à noite e halos ao redor das luzes. Em crianças e adolescentes, a troca frequente de grau merece atenção especial.
“Quando uma criança ou um adolescente troca o grau duas ou três vezes em um ano, isso não é normal e precisa ser investigado”, alerta a médica.
Alergia ocular merece cuidado redobrado
De acordo com Larissa Bowens, o risco aumenta especialmente em pessoas com alergias oculares, porque a coceira leva ao hábito de esfregar os olhos, criando um ciclo que pode piorar a visão: alergia, coceira, atrito e progressão da doença. Por isso, tratar bem a alergia também é uma forma de proteger a saúde ocular.
Outro ponto importante é o fator genético. Ter um familiar de primeiro grau com ceratocone aumenta significativamente o risco, o que reforça a necessidade de acompanhamento com oftalmologista quando há histórico na família.
Tratamento depende do estágio
Nos quadros iniciais, o objetivo é interromper a progressão da doença. O procedimento mais indicado pode ser o crosslinking, técnica que fortalece as fibras de colágeno da córnea e ajuda a estacionar o avanço do ceratocone.
Em estágios intermediários, lentes rígidas gás-permeáveis ou esclerais costumam melhorar a qualidade visual. Já nos casos mais avançados, quando há deformação acentuada ou cicatrização, o transplante de córnea pode ser necessário.
A mensagem central do Junho Violeta é clara: quanto mais cedo o ceratocone é identificado, mais simples tende a ser o tratamento. Em muitos casos, o acompanhamento adequado permite que o paciente tenha uma vida normal e preserve a visão por mais tempo.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



