CASACOR SP destaca herança musical da Bolívia
Eduardo Baldelomar assina o Co-Living Chiquitano, ambiente de 32 m² que traz partituras, instrumentos e referências da Chiquitania.
A tradição musical barroca preservada há séculos na Chiquitania, no leste da Bolívia, ganha espaço na CASACOR São Paulo 2026. O arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar assina o Co-Living Chiquitano, ambiente de 32 m² que transforma memória cultural em experiência sensorial, com partituras históricas, instrumentos musicais originais e referências às missões jesuíticas da região.
O projeto se conecta ao tema desta edição, Mente e Coração, e propõe uma leitura afetiva sobre identidade, origem e preservação cultural. Em vez de olhar apenas para a estética, Baldelomar usa a arquitetura como narrativa para apresentar uma Bolívia que ainda é pouco conhecida por muitos visitantes.
Uma imersão nas raízes da Chiquitania
Natural de Santa Cruz de La Sierra, o arquiteto contou que a pesquisa começou em novembro do ano passado e incluiu quatro viagens à Chiquitania, além de conversas com líderes indígenas e artesãos locais. O processo também envolveu visitas a igrejas, povoados e centros históricos para compreender as camadas culturais que moldaram a região.
Segundo o material, a Bolívia preserva hoje mais de 3 mil partituras do barroco mestiço escritas pelos próprios indígenas, um patrimônio histórico singular na América Latina. A experiência no ambiente também conta com trilha sonora cedida pela APAC – Associação Pró-Arte e Cultura da Bolívia, reforçando a imersão nas sonoridades típicas da Chiquitania.
Madeira, música e arquitetura missioneira
Ao entrar no Co-Living Chiquitano, a presença intensa da madeira cria uma atmosfera acolhedora. O espaço reúne colunas, arcos segmentados, teto curvo, painéis amadeirados e detalhes geométricos que reinterpretam a arquitetura barroca mestiça presente nas igrejas históricas da região.
As referências aparecem em diferentes camadas: a copa remete à culinária local, elementos acima do sofá evocam a mística chiquitana e o oratório faz alusão à religiosidade trazida pelos jesuítas. O ambiente também apresenta desenhos e fotografias sobre a restauração das Igrejas Imaculada da Concepción e San José de Chiquitos, reconhecidas como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1990.
Outro destaque é a participação do artista visual boliviano Leoni Antequera, responsável pelas pinturas das colunas com pigmentos naturais e referências a plantas e flores indígenas. Já os bancos com design assinado por Baldelomar trazem detalhes talhados por artesãos locais da Chiquitania.
Com paleta em tons terrosos e piso cerâmico quadricular, o projeto busca transportar a visitante para um território em que música, arte, arquitetura e fazer artesanal seguem vivos. É uma homenagem à força de uma herança cultural que atravessou séculos sem perder sua identidade.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



