Tempo de tela não define vício em games

Estudo com 290 brasileiros aponta que impulsividade e comportamentos sociais pesam mais do que as horas jogadas.

Passar muitas horas jogando não significa, por si só, ter dependência de games. É essa a principal conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências da Unesp, câmpus de Bauru, que investigou os fatores ligados ao chamado Transtorno do Jogo.

A pesquisa, publicada na revista Trends in Psychology, analisou 290 voluntários brasileiros e reforçou que o tempo de tela precisa ser observado junto com outros sinais, como impulsividade e comportamentos sociais nocivos. Na prática, isso ajuda a separar o que é um hábito intenso de um quadro que pode exigir atenção profissional.

O que o estudo observou

Os participantes tinham entre 18 e 50 anos, com média de 25 anos. A maioria era homem, e o levantamento foi feito online com três etapas: questionário sociodemográfico e comportamental, aplicação de uma escala de transtorno de jogo e um teste para avaliar impulsividade.

Entre os dados levantados estavam frequência de jogo, tempo semanal dedicado aos games, duração média das sessões, preferência por gênero e plataforma, além de informações sobre consumo de álcool, tabaco e outras drogas.

Os resultados mostraram que o tempo de sessão variou de 12 minutos a 10 horas. A maior parte dos voluntários jogava diariamente, preferia RPGs e usava o computador como principal plataforma.

Impulsividade entra no centro da discussão

Um ponto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o comportamento dos voluntários diante de escolhas entre recompensa imediata e recompensa maior no futuro. Quando a decisão envolvia tempo de jogo, as respostas se mostraram mais impulsivas do que quando o estímulo era dinheiro.

Segundo Alexandre Cintra, psicólogo comportamental formado pela Unesp e um dos autores do estudo, “Uma maior tendência em preferir estímulos que sejam imediatos, porém de menor magnitude, é um comportamento natural. O que vai mudar é a intensidade disso”.

De acordo com a análise, essa maior impulsividade apareceu com mais frequência entre pessoas que jogavam mais de 17 horas por semana. Ainda assim, o estudo mostra que não basta olhar apenas para a quantidade de horas jogadas: é preciso considerar o conjunto do comportamento.

Por que isso importa para famílias e jogadores

O Transtorno do Jogo é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e também aparece em classificações diagnósticas como o DSM-5 e a CID-11. Entre os sinais associados estão compulsão, dependência e variações de humor.

Para famílias, o alerta é útil: a preocupação não deve se limitar ao relógio. Mudanças de comportamento, dificuldade de controle e prejuízos na rotina podem ser tão ou mais importantes do que o tempo diante da tela.

Em um cenário em que mais de 70% da população brasileira tem o hábito de jogar videogames regularmente, entender essa diferença faz toda a diferença para enxergar os games com mais equilíbrio — como lazer para a maioria, mas também como tema de saúde quando surgem sinais de risco.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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