MSF alerta para sequelas da ajuda militarizada em Gaza

Um ano após a criação da Fundação Humanitária de Gaza, sobreviventes seguem com traumas, ferimentos graves e dificuldade para trabalhar.

Um ano após o início da distribuição militarizada de alimentos em Gaza, Médicos Sem Fronteiras (MSF) continua tratando dezenas de sobreviventes que sofreram ferimentos graves durante a operação da Fundação Humanitária de Gaza (GHF). Muitos desses pacientes enfrentam sequelas permanentes que dificultam sua mobilidade e capacidade de trabalho, dependendo de doações e cozinhas comunitárias para sobreviver.

Violência e traumas nos pontos de distribuição

A GHF, criada para substituir o sistema de distribuição coordenado pela ONU após meses de bloqueio total imposto por Israel, operou quatro pontos de distribuição militarizados a partir de maio de 2025. Esses locais eram protegidos por profissionais armados contratados por americanos, enquanto as forças israelenses controlavam o perímetro mais amplo. Entre junho e outubro de 2025, MSF registrou pelo menos 32 mortes e tratou 1.885 pacientes feridos em decorrência da violência nesses pontos.

Joan Tubau, coordenador de projeto de MSF para o Território Palestino, relata que pessoas que buscavam alimentos sofreram níveis extremos de violência direcionada e indiscriminada. Crianças foram baleadas no peito, multidões foram atingidas a tiros e muitos foram esmagados em tumultos. Os relatos incluem casos de pacientes que receberam múltiplos tiros e sofreram ferimentos que exigem acompanhamento médico constante.

Consequências sociais e humanitárias

Além dos ferimentos físicos, a militarização da ajuda humanitária gerou um clima de medo extremo, escassez e competição, afetando a dinâmica comunitária em Gaza. A redução drástica dos pontos de distribuição, combinada com o cerco, a violência e a destruição de instalações de saúde, contribuiu para a crise de desnutrição declarada em meados de 2025, impactando especialmente gestantes, recém-nascidos e crianças.

MSF destaca que o programa da GHF não foi uma solução humanitária e que seus efeitos devastadores ainda são sentidos pela população. A organização apela a Israel, aos Estados Unidos e a outros atores para que garantam que a ajuda humanitária seja acessível, segura e baseada nos princípios de independência, imparcialidade, neutralidade e humanidade.

Em consonância com a decisão da Corte Internacional de Justiça de 22 de outubro de 2025, que reforça a obrigação de Israel de garantir acesso humanitário irrestrito, MSF exige uma investigação independente sobre os danos causados nos pontos de distribuição da GHF.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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