Flávia Iriarte estreia no romance com tema de privilégio
Editora e mentora literária lança 'Instruções para desaparecer devagar', romance sobre culpa, desigualdade e tensão entre mulheres
Depois de mais de 15 anos formando autores, editando livros e atuando nos bastidores do mercado editorial, Flávia Iriarte estreia no romance com Instruções para desaparecer devagar (Faria e Silva). A novidade ganha ainda mais força por ser lançada no Mês do Orgulho e por trazer uma história que mistura culpa, privilégio, medo e a tensão silenciosa entre mulheres.
Fundadora da Editora Oito e Meio e da escola online Carreira Literária, Flávia já orientou mais de 8 mil escritores e publicou 320 autores. Agora, aos 40 anos, ela deixa o papel de mentora para ocupar o lugar de romancista — sem abandonar os temas que sempre atravessaram sua atuação: linguagem, narrativa e diversidade de vozes.
Uma experiência pessoal virou ficção
O ponto de partida do romance foi uma viagem ao Camboja, em 2016. Flávia conta que ficou em uma pousada em ruínas, sem tranca na porta, e transformou a sensação de vulnerabilidade em literatura. “Acho que toda mulher conhece esse estado. A sensação de que o perigo está sempre à espreita, de que a qualquer momento pode acontecer algo que não vamos conseguir evitar.”
No livro, a trama acompanha Alice, jovem branca e rica, tomada por uma culpa difusa em relação aos próprios privilégios, e Bárbara, colega vinda da periferia, convidada para uma viagem bancada pelo pai de Alice. O que parece uma tentativa de reparação vai se tornando um confronto silencioso, até que um episódio violento obriga as duas a encarar o que vinha sendo evitado.
Mais que thriller: uma tragédia contemporânea
A autora define a obra como uma “tragédia contemporânea”. A estrutura dialoga com a tragédia clássica, mas desloca a ideia de destino para as forças sociais de classe, gênero e raça. Em vez de deuses, são as hierarquias sociais que moldam o percurso das personagens.
Outro ponto central do romance é a amizade entre mulheres, tratada sem romantização. Para Flávia, a categoria “mulher” é importante, mas não apaga diferenças concretas de raça e classe. Isso aparece na relação entre Alice e Bárbara, marcada por assimetrias, desconfortos e silêncios.
Na escrita, ela opta por uma linguagem mais seca e direta, sem excesso de ornamento. O resultado é um livro que combina tensão psicológica, crítica social e um olhar duro sobre as zonas cinzentas das relações humanas.
Com a estreia na ficção, Flávia Iriarte também amplia sua presença na literatura brasileira contemporânea. E já trabalha em um novo romance, sobre três amigos de escola marcados por uma tragédia comum e pela impossibilidade de ter todas as respostas.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



