RH e inclusão de autistas: além da contratação
Especialista destaca a importância de processos seletivos objetivos e adaptações no ambiente de trabalho para inclusão efetiva
No Dia do RH, o foco na inclusão de pessoas neurodivergentes, especialmente autistas, destaca a necessidade de ir além da simples contratação. No Brasil, onde vivem cerca de 2,4 milhões de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), estima-se que apenas duas em cada dez tenham emprego formal, evidenciando desafios que começam no recrutamento e se estendem à rotina das empresas.
A legislação brasileira reconhece desde 2012 as pessoas com TEA como pessoas com deficiência, garantindo sua inclusão na Lei de Cotas. No entanto, a efetividade dessa política ainda é limitada, e a baixa inserção formal dessa população revela a necessidade de mudanças estruturais nas organizações.
Além da contratação: o papel do RH
Para a Dra. Mariana Ramos, professora de Psicologia da Afya Centro Universitário Itaperuna, a inclusão começa antes da admissão e deve continuar após a contratação. Ela ressalta que as entrevistas tradicionais, baseadas em habilidades sociais e comunicação sob pressão, podem excluir candidatos autistas altamente qualificados.
“As entrevistas de emprego tradicionais ainda são muito baseadas em habilidades sociais e na comunicação sob pressão, o que pode excluir candidatos autistas altamente qualificados. Precisamos de processos mais objetivos, com critérios claros e avaliações práticas que permitam uma análise real das competências”, afirma a especialista.
Adaptações no ambiente de trabalho
A permanência dos profissionais autistas depende de ajustes simples, porém fundamentais, no ambiente corporativo. Entre eles, a redução de estímulos sensoriais excessivos, a criação de rotinas previsíveis e a adoção de uma comunicação direta.
“Quando há sobrecarga sensorial, o mais importante é agir com calma, reduzir os estímulos e respeitar o tempo da pessoa”, explica Dra. Mariana. Ela também destaca a importância do preparo das equipes e lideranças para lidar com a neurodiversidade, evitando tratar todos os colaboradores de forma uniforme e reconhecendo necessidades específicas.
Benefícios da inclusão
Além do impacto social, a inclusão de pessoas com TEA traz ganhos concretos para as empresas. Essas pessoas frequentemente apresentam alta capacidade de concentração, atenção aos detalhes e pensamento lógico, competências valorizadas em diversas áreas.
O desafio não é apenas cumprir uma obrigação legal, mas construir ambientes que ofereçam condições reais para que cada profissional desenvolva seu potencial. “A inclusão não acontece em um único gesto. Ela é construída todos os dias, em cada interação, cada decisão e cada escolha de como tratamos o outro”, conclui a especialista.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



