Pular refeições e jantar tarde elevam risco de diabetes
Endocrinologista alerta que rotina corrida, jejum prolongado e comer no automático podem favorecer resistência à insulina.
Comer em horários irregulares, passar muitas horas em jejum e fazer refeições pesadas perto da hora de dormir pode parecer parte da correria do dia a dia, mas esse padrão pode aumentar o risco de diabetes tipo 2. O alerta é da endocrinologista Maria Penha, do Hospital Regional de Assis, unidade gerenciada pelo CEJAM, que aponta a soma desses hábitos como um fator importante para a resistência à insulina.
Quando a rotina bagunça o metabolismo
Segundo a especialista, ficar muito tempo sem comer faz o corpo entrar em estado de alerta. “Há liberação de hormônios ligados ao estresse e o organismo passa a trabalhar para preservar energia. Depois, quando a refeição acontece de forma exagerada ou com muitos carboidratos simples, há um pico de glicose no sangue e o pâncreas precisa trabalhar mais para produzir insulina”, explica. Quando isso se repete ao longo dos anos, as células passam a responder pior ao hormônio, aumentando o risco de diabetes.
Entre os hábitos que mais preocupam estão pular o café da manhã, passar o dia só com café, almoçar muito tarde, substituir refeições por ultraprocessados e jantar próximo da hora de dormir. O problema, de acordo com a endocrinologista, não está apenas no açúcar, mas no conjunto de comportamentos que desorganizam o funcionamento hormonal do organismo.
O que acontece quando se come no automático
Outro ponto destacado é o chamado “comer automático”, quando a pessoa se alimenta trabalhando, mexendo no celular ou sem pausa adequada. Esse hábito dificulta perceber fome e saciedade, o que favorece excessos e escolhas impulsivas, geralmente ricas em açúcar, gordura e produtos ultraprocessados.
O estresse também entra nessa conta. A liberação contínua de cortisol, hormônio associado à tensão e à privação de descanso, pode elevar a produção de glicose pelo fígado e contribuir para o acúmulo de gordura abdominal, combinação associada a alterações metabólicas. Sono ruim, sedentarismo e obesidade também estão entre os fatores que pioram o cenário.
Pequenas mudanças ajudam na prevenção
As orientações dos especialistas não exigem mudanças radicais. Manter horários minimamente regulares para comer, evitar longos períodos sem alimentação, priorizar alimentos naturais, incluir fibras e proteínas nas refeições e respeitar o sono são medidas simples que ajudam a proteger a saúde metabólica.
As Diretrizes 2025 da Sociedade Brasileira de Diabetes reforçam que a redução do peso corporal melhora o controle glicêmico e pode aumentar as chances de remissão da doença. O recado é claro: diabetes não surge de repente, mas costuma ser resultado de pequenos desequilíbrios repetidos por anos.
Prevenção também passa pela rede pública
Nas unidades administradas pelo CEJAM, a Linha de Cuidado da Saúde da Pessoa Diabética busca fortalecer a prevenção e o acompanhamento contínuo. A estratégia inclui grupos educativos, atendimentos multiprofissionais, ações comunitárias e busca ativa de pacientes, com foco em alimentação, atividade física, sono e manejo do estresse.
O objetivo é identificar fatores de risco cedo, antes que a doença avance, e apoiar o autocuidado de forma realista para cada paciente, utilizando ferramentas como o Plano de Autocuidado Pactuado para estabelecer metas possíveis.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



