Podcast revela falhas na gestão de condomínios no Brasil

A Síndica, de Chico Felitti, investiga caso em BH e discute transparência e poder condominial

O podcast investigativo “A Síndica”, produzido pelo jornalista Chico Felitti, traz à tona questões cruciais sobre a gestão condominial no Brasil, a partir da história do Edifício JK, um dos maiores condomínios do país, localizado em Belo Horizonte. Projetado por Oscar Niemeyer e com mais de mil apartamentos, o prédio foi administrado pela mesma síndica, Maria Lima das Graças, conhecida como Doutora Graça, por mais de 40 anos, até seu desaparecimento em agosto de 2025.

O caso expõe desafios como a concentração de poder, a falta de transparência e a ausência de fiscalização efetiva na administração condominial. Em um país com mais de 520 mil condomínios residenciais, cerca de 80 milhões de moradores e movimentação anual próxima de R$ 190 bilhões, a governança desses espaços tornou-se uma questão econômica, jurídica e social de grande relevância.

Protesto e conflito no Edifício JK

O episódio inaugural do podcast narra o protesto de uma moradora que, em junho de 2026, pagou a taxa condominial de R$ 835 em 1.666 moedas. A medida foi uma reação à determinação da administração, em outubro de 2024, que passou a aceitar pagamentos exclusivamente em dinheiro na recepção, sem opções como boleto, Pix ou transferência. A contagem das moedas levou quatro funcionários duas horas para ser concluída.

Posteriormente, a moradora foi processada criminalmente pelo condomínio por calúnia, gastando cerca de R$ 10 mil em sua defesa. Este episódio ilustra como decisões internas podem impactar diretamente a vida financeira e emocional dos moradores.

Fragilidades na gestão condominial

A legislação brasileira limita o mandato de síndico a dois anos, mas permite reeleições sucessivas sem restrições, o que pode favorecer a concentração de poder. Além disso, não existe um órgão fiscalizador específico para a gestão condominial, nem uma obrigação nacional de prestação de contas digital, rastreável e acessível aos moradores.

Mark Cardoso, Head de Marketing da Superlógica, destaca que a falta de mecanismos eficazes de controle torna a gestão dependente da boa-fé dos administradores, aumentando o risco de abusos. O segundo episódio do podcast acompanha a história de Julieta, moradora argentina que enfrentou diversas interpelações judiciais e ataques pessoais ao tentar organizar uma chapa de oposição, mas venceu todas as ações.

Avanços e desafios na profissionalização

Embora a profissionalização da gestão condominial tenha avançado, ainda é minoritária. Segundo o estudo Perfil do Síndico Brasileiro, realizado pelo Instituto Datafolha para o Grupo Superlógica no final de 2025, 46% dos condomínios contam com síndicos profissionais, contra 6% em 2013, conforme dados do Censo SíndicoNet. A maioria dos condomínios continua sendo administrada por moradores voluntários, muitas vezes sem preparo técnico ou apoio jurídico.

O setor enfrenta ainda pressão financeira crescente. O Índice Superlógica indicou que a taxa condominial teve alta de 6,8% em 2025, superando a inflação, com valor médio de R$ 828,13. A inadimplência atingiu 6,28%, resultando em prejuízo estimado de R$ 7 bilhões.

O podcast “A Síndica” está disponível no Spotify e contribui para ampliar o debate sobre a importância da transparência, rastreabilidade e participação dos moradores na gestão condominial, temas que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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