Claudia Jordão lança “Elas, mulheres” sobre violência e resistência

Obra encerra tetralogia com contos baseados em cinco anos de pesquisa sobre violência doméstica

Após cinco anos de escuta e pesquisa, “Elas, mulheres”, o mais recente livro da escritora paulista Claudia Jordão, oferece uma reflexão profunda sobre as múltiplas camadas da violência que atravessam a vida das mulheres, especialmente no âmbito doméstico. A obra reúne contos que transformam estatísticas em experiências narradas, dando voz a histórias reais que muitas vezes permanecem silenciadas.

Publicado pela Alpharrabio Edições com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do ProAC, o livro é o último volume de uma tetralogia iniciada com “Mulheres que me habitam”, seguida por “Eu Tu Elas” e “Elas, meninas”. Esta série literária expõe experiências femininas em um mundo patriarcal, com foco na violência e na resistência.

Violência estrutural e escrita sensível

O livro percorre ambientes rurais e urbanos, revelando a brutalidade das estruturas de violência e a complexidade afetiva das vidas que as atravessam. A escrita evita a espetacularização da misoginia e da dor, sem suavizar a realidade dessas experiências. Conforme destaca a socióloga Simone Brito, autora do texto de orelha, Claudia Jordão não oferece respostas fáceis, mas reafirma o compromisso de contar as histórias dessas mulheres e o que gostariam que fosse conhecido.

Para a autora, a violência retratada não é episódica, mas estrutural, manifestando-se em gestos cotidianos, relações afetivas e papéis socialmente construídos, perpetuando-se pelo silêncio e pela minimização.

Trajetória e influências da autora

Claudia Jordão é dramaturga, escritora, pesquisadora e mediadora de processos de escrita. Nascida em São Paulo e residente há três décadas em São Bernardo do Campo, ela coordena oficinas de escrita para mulheres e desenvolve projetos culturais em bibliotecas, escolas e instituições. Sua escrita nasce do cruzamento entre experiência, escuta e elaboração estética, influenciada por autores como Michel Foucault, bell hooks, Silvia Federici, Gloria Anzaldúa, Maya Angelou, Annie Ernaux, Marguerite Duras e Angélica Liddell.

A escritora Jarid Arraes, responsável pela leitura crítica da obra, destaca a habilidade de Claudia em transitar entre a dor do ambiente rural e as neuroses do urbano, além do domínio da linguagem sensorial que envolve o leitor nas cenas.

Próximos passos

Com o encerramento da tetralogia, Claudia pretende retomar a publicação de seu primeiro romance, ainda inédito, desenvolvido durante sua pós-graduação em Formação do Escritor.

“Elas, mulheres” se firma como uma obra que convida à reflexão sobre a violência estrutural e a resistência feminina, criando espaços de reconhecimento e diálogo para outras mulheres construírem suas próprias narrativas.

EstagiárIA

Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA

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