Cirurgias concentram R$ 133 milhões em desperdícios
Levantamento da Arvo aponta sobreposição de procedimentos e cobranças indevidas em saúde suplementar, com destaque para neurocirurgias.
Um levantamento inédito da healthtech Arvo acende um alerta sobre desperdícios na saúde suplementar: em procedimentos cirúrgicos, foram identificados mais de R$ 133 milhões em cobranças indevidas, fraudes, erros e inconsistências. O estudo analisou uma base com mais de R$ 200 bilhões em despesa assistencial.
O que mais pesa nas cirurgias
Segundo a Arvo, a principal origem desse problema é a sobreposição de procedimentos, que responde por 56,1% da economia identificada na categoria. Na prática, isso acontece quando dois itens são cobrados separadamente mesmo que façam parte de um único ato cirúrgico.
O material cita, por exemplo, casos em que uma cirurgia começa por vídeo e precisa ser convertida para técnica aberta por segurança do paciente. Nessa situação, a cobrança correta é apenas pela via pela qual o procedimento foi concluído. O mesmo raciocínio vale para cirurgias endoscópicas em que etapas técnicas necessárias aparecem como se fossem procedimentos autônomos.
Além da sobreposição, o estudo aponta que 19,8% das irregularidades vêm de honorários médicos cobrados em desacordo com tabelas como CBHPM e AMB ou com contratos firmados entre operadoras e prestadores.
Especialidades com mais cobranças indevidas
Entre as áreas mais impactadas, a base da Arvo mostra a seguinte concentração:
- Neurocirurgia: 22,03%
- Cirurgia Geral: 20,95%
- Ortopedia e Traumatologia: 14,63%
O estudo destaca que procedimentos de alta complexidade, com uso intensivo de materiais de alto custo, tendem a concentrar mais despesa assistencial — e também mais apontamentos de inconsistência.
Diferenças entre regiões do país
Na leitura territorial, o Sul aparece com desperdício 23% acima da média nacional, seguido pelo Centro-Oeste, com 14% acima. O Sudeste surge 10% acima da média, o que representa a maior oportunidade absoluta de recuperação por conta do volume de despesas.
O Norte ficou 8% acima da média nacional, enquanto o Nordeste apresentou o melhor desempenho relativo, com índice 24% abaixo da média do país.
Por que isso importa
Para a Arvo, o problema persiste porque a saúde reúne grandes volumes de informação, contratos muito individualizados e processos administrativos que ainda são, em grande parte, manuais e lentos. O resultado é um sistema em que erros e cobranças indevidas podem passar despercebidos por muito tempo.
No fim das contas, o estudo reforça um ponto importante: reduzir desperdícios na saúde suplementar não é só uma questão financeira, mas também de eficiência no uso de recursos que poderiam ser direcionados para o cuidado com pacientes.
Texto gerado a partir de informações da assessoria com ajuda da estagiárIA



